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Juiz aposentado gravou live em ponte no Acre minutos antes do desabamento

Edinaldo Muniz, de 54 anos, gravava as condições das pilastras da ponte Frei Paolino Baldassari — que custou R$ 36 milhões e tinha pouco mais de dois anos de inaugurada — quando a estrutura colapsou por completo sobre ele

Da redação
DA REDAÇÃO

06/06/2026 • 14:01 • Atualizado em 06/06/2026 • 14:04

Um juiz aposentado foi atingido pela queda da ponte em Sena Madureira no Acre, enquanto gravava uma live. Edinaldo Muniz, de 54 anos, foi atingido pelo desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari enquanto realizava uma transmissão ao vivo nas redes sociais para denunciar as condições estruturais do local. Ele está internado em estado gravíssimo.

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No vídeo, gravado embaixo da estrutura, Muniz apontava para as avarias e criticava o investimento público na obra. Pouco antes de a estrutura vir abaixo e atingi-lo, o ex-magistrado declarou: "Temos aqui um equipamento público que custou R$ 36 milhões agora fechado, portanto gerando prejuízo."

Vítimas e Estado de Saúde

O ex-juiz não estava sozinho no momento do colapso. Ele estava acompanhado de seu irmão, Edinei Muniz, de 51 anos, que também sofreu ferimentos graves. No total, quatro pessoas foram atingidas pelo desabamento.

Todos os feridos foram levados inicialmente para o Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira. Devido à complexidade dos ferimentos, o ex-juiz e seu irmão foram transferidos de helicóptero para a capital, Rio Branco.

Obra milionária durou menos de dois anos

A ponte Frei Paolino Baldassari possui 232 metros de extensão e foi projetada para ligar o Segundo Distrito à sede do município de Sena Madureira, cruzando o Rio Iaco. Inaugurada em dezembro de 2023, durante a gestão do ex-governador Gladson Cameli (PP), a obra custou R$ 36 milhões aos cofres públicos.

A construção foi supervisionada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) e executada pela Construtora Cidade. Na época da inauguração, o governo estadual havia classificado a estrutura como uma "conexão segura" que daria fim a anos de isolamento da comunidade local.

Durante a live, Edinaldo Muniz criticou duramente a engenharia e a durabilidade da construção: "Essas duas pilastras cederam. Dá para ver uma descida, como se a pilastra aqui estivesse descendo. A ponte está interditada, ninguém pode passar, nem pedestre... O dinheiro que foi investido era para garantir uma ponte por décadas, pois a expectativa quando se faz uma ponte é que dure décadas, mas essa durou menos de dois anos", alertou o ex-juiz segundos antes do colapso.

A reportagem do band.com.br tentou contato com a Construtora Cidade para solicitar esclarecimentos sobre o colapso estrutural, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

O que diz o Governo do Acre

Em nota oficial, o Governo do Acre informou que está prestando total assistência e apoio aos feridos e à comunidade de Sena Madureira. Aeronaves foram mobilizadas imediatamente para fazer o transporte aeromédico das vítimas mais graves até Rio Branco. Equipes técnicas também foram enviadas ao local para avaliar a extensão dos danos e determinar as próximas medidas de segurança na região.

Tragédia no Maranhão

Pouco antes do acidente, Edinaldo Muniz chegou a citar no vídeo a queda de outra ponte no Brasil onde houve mortes, cobrando explicações do governo acreano para evitar um desfecho semelhante. O caso mencionado pelo ex-juiz ocorreu em 22 de dezembro de 2024, no Maranhão, com o desabamento da ponte Juscelino Kubitscheck de Oliveira, sobre o Rio Tocantins, que resultou em 14 mortos e três desaparecidos.

De forma idêntica e impressionante, a queda da ponte no Maranhão também foi flagrada ao vivo por uma autoridade. O vereador Elias Júnior, de Aguiarnópolis (TO), gravava as rachaduras na estrutura no momento exato em que ela veio abaixo. A única diferença é que o vereador estava próximo à cabeceira da ponte e conseguiu correr a tempo, escapando ileso — destino diferente do ex-juiz acreano, que agora luta pela vida em Rio Branco.

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