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Juliana Rosa analisa desaceleração da economia: "Escadinha descendente”

Para Juliana Rosa, os dados do PIB validam a tese de que a Taxa Selic em patamares elevados está afetando não apenas produtos ligados a crédito, mas agora também a renda

Por Redação
REDAÇÃO

04/12/2025 • 10:29 • Atualizado em 04/12/2025 • 10:29

Juliana Rosa
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Resumo

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresentou crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2023, evidenciando perda de força e um cenário de estagnação, segundo análise da jornalista Juliana Rosa com base nos dados divulgados pelo IBGE.

O desempenho setorial mostrou surpresa positiva na Agropecuária, com alta de 0,4%, enquanto Serviços e Consumo das Famílias cresceram apenas 0,1%, confirmando fragilidade dos principais motores da economia e impacto dos juros altos sobre a demanda interna.

A Taxa Selic elevada tem afetado não só produtos de crédito, mas também a renda, e, embora o desemprego esteja em nível histórico baixo, há desaceleração na geração de vagas e ocupação, o que abre espaço para cortes de juros visando evitar recessão sem comprometer o combate à inflação.

A economia brasileira dá sinais claros de perda de fôlego. Essa é a avaliação da jornalista de economia Juliana Rosa, após a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) pelo IBGE nesta terça-feira. O resultado do terceiro trimestre apontou um crescimento de apenas 0,1% em relação aos três meses anteriores, confirmando um cenário de estagnação.

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Segundo a analista, embora o número tenha vindo "em linha" com a média das expectativas do mercado (que projetava 0,2%) e melhor do que as previsões mais pessimistas de queda, a tendência de desaceleração é evidente quando se observa o desempenho ao longo de 2025.

O efeito "escadinha" na economia

Juliana Rosa descreve o comportamento do PIB neste ano como uma "escadinha" descendente. Os dados mostram a seguinte trajetória:

  • 1º Trimestre: Crescimento forte de 1,5%;
  • 2º Trimestre: Desaceleração para 0,3% (dado revisado para baixo pelo IBGE, ante 0,4%);
  • 3º Trimestre: Estagnação em 0,1%.

"Fica muito clara essa perda de força da economia", pontuou a jornalista, ressaltando que as revisões feitas pelo IBGE neste trimestre reforçaram esse cenário de desaquecimento progressivo.

Agropecuária surpreende, mas Serviços e Consumo preocupam

Na análise setorial, Juliana destacou um desempenho surpreendente da Agropecuária, que cresceu 0,4% no período. A expectativa era de queda, visto que o setor costuma ter seu pico no início do ano durante a colheita e contribuir menos no segundo semestre.

No entanto, os principais motores da economia interna mostraram fraqueza, o que corrobora o efeito dos juros altos:

  • Setor de Serviços: Crescimento de apenas 0,1%. Sendo o setor de maior peso na economia, o resultado é praticamente nulo.
  • Consumo das Famílias: Também registrou apenas 0,1% de alta, indicando que as famílias perderam ímpeto de compra.
  • Importação: O dado veio pior do que o previsto, outro sinal de que a demanda interna está desaquecida.

O paradoxo do mercado de trabalho e o papel dos juros

Para Juliana Rosa, os dados do PIB validam a tese de que a Taxa Selic em patamares elevados está afetando não apenas produtos ligados a crédito, mas agora também a renda.

A jornalista chama a atenção para um detalhe importante sobre o mercado de trabalho: apesar da taxa de desemprego estar no menor nível da história — argumento usado pelo Banco Central para manter os juros altos —, a geração de vagas e o nível de ocupação vêm perdendo força.

"A taxa de desemprego cai principalmente porque diminuiu o número de pessoas procurando trabalho", explica Rosa. Ela cita que benefícios sociais, como o Bolsa Família e bolsas regionais, podem estar influenciando essa dinâmica, onde menos pessoas buscam recolocação, distorcendo a percepção de um mercado de trabalho aquecido.

"Não precisa colocar fogo na vaca"

A análise conclui que o cenário atual de fraqueza econômica abre espaço para cortes na taxa de juros. O objetivo do Banco Central deve ser reduzir a inflação sem empurrar o país para uma recessão.

Para ilustrar o momento delicado, Juliana Rosa citou uma frase clássica do economista Mário Henrique Simonsen: "Para matar o carrapato, não precisa colocar fogo na vaca". Ou seja, o combate à inflação (o carrapato) não deve destruir a atividade econômica (a vaca).

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