A Justiça Federal deve decidir nesta semana se Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, permanece em liberdade. O banqueiro é investigado por suspeita de comandar fraudes que superam os R$ 12 bilhões. Vorcaro é conhecido por sua influência nos meios político e jurídico, construindo uma rede de proteção com dinheiro, bons contatos e escritórios de advocacia de alto custo.
Apenas no ano passado, o balanço do Banco Master indica que a instituição desembolsou mais de meio bilhão de reais (R$ 580 milhões) com consultoria jurídica. Após ser preso na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), o banqueiro foi solto com o uso de tornozeleira eletrônica por determinação da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1).
A desembargadora voltou atrás na sua própria decisão, que inicialmente havia mantido Vorcaro preso.
Conexão Jurídica e Recurso ao STF
Um detalhe no processo conecta a defesa do banqueiro com a magistrada. Solange Salgado, quando fazia parte da Associação dos Juízes Federais, foi acusada de envolvimento em um esquema de empréstimos fraudulentos com a Fundação Habitacional do Exército, embora nada tenha sido provado contra ela na época.
Na ocasião, a juíza foi defendida pelo advogado Pierpaolo Bottini, que hoje integra a equipe de defesa de Daniel Vorcaro.
O Ministério Público Federal (MPF) recorre da decisão que concedeu a liberdade a Vorcaro. O TRF-1 deve julgar o recurso nesta semana. Paralelamente, a defesa do banqueiro solicita e consegue que o processo seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que haveria o nome de um parlamentar federal envolvido no caso.
Na Operação Compliance Zero, realizada no mês passado contra o Banco Master, a PF apreendeu documentos que tratam da negociação de um empreendimento em Trancoso, na Bahia, entre Daniel Vorcaro e o deputado federal João Carlos Bacelar (PL). O parlamentar alega que a negociação não foi concretizada.
Processo sob Sigilo no Supremo
Com a alegação de envolvimento de parlamentar, o processo é distribuído e vai parar nas mãos do ministro do STF Dias Toffoli, que decreta sigilo sobre o caso.
Pelo menos duas conexões ligam o ministro Toffoli ao Banco Master:
- Um dia após ser sorteado relator, Dias Toffoli viaja para o Peru a bordo do jatinho de um empresário. Ao lado dele na viagem estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende o diretor de Compliance do Banco Master, Luiz Antonio Bull.
- A esposa do ministro, Roberta Rangel, já foi sócia de outro advogado que atua na defesa de Daniel Vorcaro, Walfrido Warde.
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