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Lei de Maquila atrai mais de 200 indústrias brasileiras para o Paraguai

Isenções fiscais, impostos reduzidos de 1% e menores encargos trabalhistas impulsionam processo de industrialização no país vizinho e aumentam competitividade

IGOR CALIAN

14/01/2026 • 22:21 • Atualizado em 14/01/2026 • 22:21

Mais de 200 indústrias brasileiras já cruzaram a Ponte da Amizade para se instalar no Paraguai, motivadas por um ambiente de negócios que oferece incentivos fiscais agressivos e custos operacionais reduzidos. O movimento reflete uma transição econômica no país vizinho, que antes baseava seu Produto Interno Bruto (PIB) majoritariamente no comércio e na agricultura e agora passa por um intenso processo de industrialização.

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O principal atrativo para essa migração é a Lei de Maquila. Regulamentada nos anos 2000, a legislação permite que empresas importem máquinas e matérias-primas com isenção total de impostos, exigindo apenas um tributo único de 1% sobre o valor final do produto destinado à exportação. Atualmente, existem 320 indústrias maquiladoras no Paraguai, que juntas somam US$ 1,2 bilhão em exportações.

Redução de custos e competitividade

A diferença de carga tributária entre os dois países é o fator determinante para os empresários brasileiros. Enquanto no Brasil o custo de importação de insumos pode chegar a 35% dependendo do setor, no modelo paraguaio a taxação é mínima. Além disso, as empresas são isentas de Imposto de Renda e de taxas sobre a remessa de capital para o exterior.

Um exemplo prático dessa vantagem competitiva é observado na indústria de fitas de amarração para cargas. Ao importar poliéster da China, uma empresa instalada no Brasil enfrentava uma taxa de 18%. Operando sob a Lei de Maquila no Paraguai, a mesma importação tem imposto zero. Essa redução permitiu que empresas derrubassem seus custos operacionais em até 40%, refletindo em um aumento de vendas e na melhoria do preço final para o consumidor brasileiro.

Mão de obra e o "Custo Brasil"

Além das vantagens tributárias, os empresários citam a mão de obra mais barata e leis trabalhistas menos burocráticas como pilares para a mudança. Segundo relatos de investidores, a carga tributária e administrativa brasileira — frequentemente chamada de "Custo Brasil" — chega a consumir 50% dos ganhos de uma empresa. No Paraguai, o sistema simplificado é visto como uma oportunidade para quem busca expandir operações sem as pressões fiscais do território nacional.

Segundo a análise de especialistas ouvidos pela reportagem, para muitas dessas empresas, a migração é considerada um caminho sem volta. A facilidade de ingressar com produtos no Brasil com isenção de impostos, garantida pelo certificado de origem paraguaio dentro do bloco econômico, consolida o Paraguai como um polo estratégico para a indústria brasileira no Mercosul.

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