
Lewandowski admite que prestou serviços para o Master
Reprodução/Band
Que tal se a gente passasse a agradecer o banqueiro Daniel Vorcaro em vez de só ficar xingando? Deixa eu explicar, até porque tem muita gente que perdeu dinheiro com o que ele aprontou.
Mas olha só, só depois da explosão do escândalo do Banco Master a gente ficou sabendo que o ex-ministro da Justiça de Lula, Ricardo Lewandowski, foi contratado pelo Master por 250 mil reais por mês, e que o contrato continua ativo no escritório da família dele enquanto ele está no cargo. E que a mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, celebrou com o Master um contrato com uma parcela mensal 15 vezes maior que a de Lewandowski, 3 milhões e 600 mil reais por mês, previsto para acabar em 2027 — e acabou antes porque o banco quebrou.
A gente ficou sabendo que Moraes visitou o dono do Master na casa do presidente do banco durante a vigência do contrato. Foi ao Banco Central, que estava de olho no Master, também durante a vigência do contrato. E aí, com a explosão do escândalo, só com a explosão, apareceram os irmãos do ministro Dias Toffoli, que tinham fechado negócio com um resort lá com um parente de Vorcaro. E apareceu o voo de jatinho de Toffoli ao lado de um advogado do banco.
Se não tivesse o escândalo, a gente não ia saber que o Master contratou o ex-ministro de Lula e de Dilma, Guido Mantega, pagando um milhão de reais por mês. E também não ia saber que o Mantega levou o Vorcaro para falar com o Lula no Palácio do Planalto. Ou seja, não ia ter a visibilidade dos tentáculos dele no executivo, legislativo, judiciário, desproporcionalmente maior do que o modesto meio por cento de ativos bancários que ele administrava.
Então, Daniel Vorcaro estabeleceu relações políticas obscuras e a queda dele iluminou, involuntariamente, sim, mas iluminou terreno pantanoso. E pelo menos até o momento a instituição mais atingida foi o Supremo Tribunal Federal, que é justamente a que a gente deveria ter mais respeito, devia dar mais orgulho ao país.
Do marechal Deodoro até hoje a gente nunca viu uma composição do Supremo enfrentando denúncias assim, de caráter ético. Já teve toda hora discussão de voto, discussão de ativismo judicial, mas discussão de caráter ético não.
E aí vale a pena a gente olhar para trás para comparar. Voltar um pouquinho no tempo. Pegar um exemplo: 1981, tomou posse no Supremo o ministro Clóvis Ramalhete. Ficou só 10 meses no Supremo porque ele atingiu a idade limite, teve que se aposentar. Quando ele entrou, ele era alvo de comentários na boca miúda, porque ele tinha um hábito, que nunca se confirmou, do tempo em que ele foi consultor-geral da República.
Sabe o que que falavam pelas costas do Clóvis Ramalhete? Que ele autorizava alguns advogados a ligar para ele a cobrar do Palácio do Planalto. Naquele tempo não tinha celular, uma chamada interurbana de telefone fixo podia custar até 10 reais por minuto. Ligando a cobrar, a conta seria paga pela presidência da República. Que acusação grave, não?
Pois é, os tempos mudaram muito. E a gente só ficou sabendo disso depois que a Polícia Federal estourou o Banco Master.
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