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Ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina, diz Lula

Declaração do presidente foi feita durante a abertura da Cúpula da Celac com a União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia

Da redação
DA REDAÇÃO

09/11/2025 • 15:11 • Atualizado em 09/11/2025 • 15:11

Lula

Lula

REUTERS/Luisa Gonzalez

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (9) que a ameaça do uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe.

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A declaração do petista foi feita durante a abertura da Cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos) com a União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia.

“A guerra no coração da Europa segue semeando a incerteza e canaliza para fins bélicos recursos até então essenciais para o desenvolvimento justo e sustentável que sonhamos. A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, disse Lula.

“Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional. A democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos, destrói famílias e desestrutura negócios”, acrescentou o petista.

Em discurso, Lula afirmou que a segurança é um dever do Estado e um direito humano fundamental. “Não existe solução mágica para acabar com a criminalidade. É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas. O alcance transnacional do crime coloca à prova nossa capacidade de cooperação”.

“Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente. Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são fundamentais para que a gente consiga vencer. Foi com esse objetivo que renovamos o Comando Tripartite da Tríplice Fronteira, com a Argentina e o Paraguai”, pontuou.

Pressão americana

O encontro acontece em um cenário de preocupação de governos latino-americanos com a ofensiva dos Estados Unidos contra supostos traficantes de drogas em águas internacionais no Mar do Caribe e no oceano Pacífico.

Por ordem do presidente americano, Donald Trump, desde setembro, militares têm alvejado barcos na região, sob a alegação de que transportavam drogas de países como a Venezuela para os Estados Unidos.

Na última sexta-feira (7), um ataque deixou três mortos. O anúncio da ofensiva foi feito pelo secretário de Defesa americano (equivalente ao nosso ministro da Defesa), Pete Hegseth. Operações como essa já deixaram ao menos 70 mortos.

Trump tem apresentado um discurso intimidador contra a Venezuela, inclusive insinuando ações ofensivas terrestres. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nega envolvimento do país com narcotraficantes e diz que o americano busca criar motivos para invadir o país, dono das maiores reservas de petróleo do mundo.