
Lula durante lançamento do plano Brasi l Soberano III
Adriano Machado/Reuters
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (5) em um eventual quarto mandato, que pretende construir uma aliança entre países sul-americanos mesmo com grande parte deles, como Chile, Peru e Colômbia, sendo governados por ultraconservadores.
Ao comentar o cenário político na região, Lula afirmou que pretende buscar cooperação com vizinhos independentemente da orientação partidária de cada governo. "As pessoas têm que aprender que a relação entre Estados não é ideológica", disse o presidente em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos.
Na conversa, o petista avaliou que a América Latina historicamente esteve sob comando de lideranças conservadoras. "A América Latina nunca foi de esquerda, sempre foi muito de direita", declarou ao lembrar que governos progressistas foram exceção ao longo das últimas décadas.
Segundo Lula, o período entre 2000 e 2012, conhecido como "onda rosa" por cientistas políticos, marcou o melhor momento para forças progressistas na região. "O melhor momento progressista que a gente viveu na América Latina foi de 2000 a 2012, quando a gente tinha presidentes com a visão democrática e civilizatória avançada", afirmou.
"Revertério" com avanço da extrema direita
Para o presidente, a atual conjuntura representa uma inflexão em relação àquele ciclo. "Agora, deu um revertério e a extrema direita começou a ganhar em alguns países", disse ao citar na conversa que nações como Chile, Peru e Colômbia hoje são governadas por líderes que classifica como ultraconservadores.
Apesar desse diagnóstico, Lula reforçou que pretende trabalhar por maior coordenação entre os países sul-americanos, caso venha a exercer um quarto mandato. Na visão dele, a integração regional é necessária para enfrentar desafios comuns, como desenvolvimento econômico, proteção ambiental e redução das desigualdades.
Conforme o petista, a construção dessa agenda compartilhada depende de separar divergências ideológicas das relações entre governos. Ele argumenta que projetos de infraestrutura, comércio e políticas sociais podem avançar mesmo em cenários de forte polarização, desde que prevaleçam o diálogo e o respeito entre os Estados.
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