
Lula na COP30
Bruno Peres/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (7), que a oposição não terá argumentos para disputar as próximas eleições caso os eleitores comparem o desempenho econômico do atual governo com gestões anteriores. Durante as comemorações dos 46 anos do PT, em Salvador, o mandatário destacou a queda da inflação, o aumento do salário mínimo e os recordes da Bolsa de Valores (Ibovespa) como pilares de sua gestão.
Economia e estratégia eleitoral
Em seu discurso, Lula ressaltou que a narrativa política será o fator decisivo para o pleito de 2026. Ele citou dados apresentados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para sustentar que "não há como perder para os adversários" se os resultados em áreas como educação, saúde e infraestrutura forem apresentados com clareza.
Sobre o mercado financeiro, o presidente fez uma ponderação sobre a volatilidade do setor. Ele brincou ao dizer que a população não ganha nada diretamente quando a Bolsa sobe, mas ressaltou a gravidade das desvalorizações. "Quando o mercado se desvaloriza, o País todo perde. Nós só ficamos com o prejuízo", avaliou o petista.
Lula também mencionou a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ele afirmou que ainda não está contente com o cenário atual por entender que "salário não é renda", mas ponderou que avanços nessa pauta dependem de acordos políticos, os quais classificou como "uma coisa tática".
Aliança com Alckmin e autocrítica do PT
O evento foi marcado por gestos de unidade. Lula voltou a elogiar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), chamando-o de "homem extraordinário" e exemplo de que a política é uma arte. Alckmin, presente no palco, usou meias vermelhas e fez o sinal de "L" com as mãos.
Apesar do tom otimista para 2026, Lula adotou uma postura de autocrítica em relação ao desempenho do PT em São Paulo. O presidente questionou a perda de espaço na região que é berço do partido. Ele também defendeu a necessidade de novas alianças estaduais, admitindo que a legenda "não está com essa bola toda" e precisa compor com outros grupos para vencer.
Críticas ao Legislativo e orçamento secreto
O presidente subiu o tom contra a atual dinâmica do Congresso Nacional. Ele afirmou que a política "apodreceu" e tornou-se "mercantilizada". Lula criticou duramente o orçamento secreto, classificando-o como um "sequestro" de recursos que deveriam pertencer ao Poder Executivo.
"Este ano é quase R$ 60 bilhões. Para mim não é normal", disparou o presidente. Ele também demonstrou descontentamento com o fato de membros do próprio PT terem votado favoravelmente à manutenção desses mecanismos orçamentários sem oferecer resistência.
Política externa e recado à militância
No campo internacional, Lula reafirmou a solidariedade ao povo de Cuba e defendeu que a crise na Venezuela seja resolvida pelos próprios venezuelanos, sem interferência dos Estados Unidos. As declarações ocorrem às vésperas de sua viagem oficial para encontro com o presidente americano Donald Trump.
Lula ainda elogiou a China, principal parceira comercial do Brasil, e criticou tentativas internacionais de restringir a venda de minerais críticos ao país asiático. Para o presidente, a relação sino-brasileira é "respeitosa e exitosa".
"Guerra política" contra o fascismo
Ao finalizar, o presidente convocou a militância para o embate direto contra as chamadas fake news. Lula afirmou que não existe mais o perfil "Lulinha paz e amor" e que a próxima eleição será uma "guerra política" pela democracia.
"Nós temos que ser mais desaforados, porque eles são desaforados. Temos que escrachar cada mentira", defendeu. Segundo ele, o que está em jogo é impedir que o Brasil se torne um país fascista e garantir a manutenção das instituições democráticas.
Haddad analisa "fragilidade" da democracia
Enquanto o evento ocorria em Salvador, o ministro Fernando Haddad participava do lançamento de seu livro, "Capitalismo superindustrial", em São Paulo. Haddad afirmou que a elite brasileira ainda vê o Estado como propriedade privada, o que torna a democracia nacional "problemática e frágil".
O ministro argumentou que a desigualdade crescente é uma contradição do capitalismo que impulsionou a ascensão da extrema-direita. Ele defendeu a mobilização contra esses movimentos e destacou o exemplo da China como um caminho que "desviou" do neoliberalismo.
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