Band Jornalismo

Lula liga para Trump e fala sobre combate ao crime organizado

Segundo informações divulgadas pelo governo federal, Lula classificou como positiva a retirada de tarifas de 40% sobre alguns produtos brasileiros

Da redação
DA REDAÇÃO

02/12/2025 • 14:32 • Atualizado em 02/12/2025 • 14:32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma ligação que durou cerca de 40 minutos.

Compartilhar

O contato ocorreu na manhã desta terça-feira (2) e abordou temas centrais da relação bilateral, como a agenda econômica e, com destaque especial, o combate ao crime organizado internacional.

Segundo informações divulgadas pelo governo federal, Lula classificou como positiva a retirada de tarifas de 40% sobre alguns produtos brasileiros e reforçou a necessidade de ações conjuntas na segurança pública.

Cooperação na segurança pública

Durante o telefonema, Lula ressaltou a urgência de fortalecer a cooperação com os Estados Unidos para enfrentar o crime organizado. O presidente brasileiro destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal, que visam asfixiar financeiramente as facções criminosas e identificar ramificações que operam a partir do exterior.

Em resposta, Donald Trump demonstrou total disposição em trabalhar junto com o Brasil. O líder norte-americano afirmou que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para o enfrentamento dessas organizações.

Mudança de postura diplomática

A ênfase dada por Lula ao tema da segurança marca uma mudança de tom em relação a posicionamentos anteriores do governo brasileiro. Após a megaoperação realizada recentemente no Rio de Janeiro, o governo federal havia tecido críticas à ação, enquanto o governo Trump a elogiou, considerando-a necessária.

Além disso, foi recordado que um advogado ligado a Donald Trump chegou a publicar nas redes sociais que os Estados Unidos já haviam oferecido ajuda ao Brasil para o combate ao crime organizado, oferta que teria sido rejeitada anteriormente pela gestão Lula.

O fato de o presidente brasileiro trazer esse assunto à tona agora sinaliza uma alteração estratégica, indicando que o governo passou a aceitar e solicitar essa colaboração internacional que antes dispensava.

Pressão interna e cenário legislativo

O movimento diplomático ocorre em um momento de forte pressão sobre o governo federal na pauta da segurança pública. Pesquisas de opinião indicaram que a população, especialmente no Rio de Janeiro, apoia medidas mais duras contra a insegurança, o que motivou uma troca de discurso por parte do Planalto.

No cenário legislativo, o governo enfrenta dificuldades. O projeto de lei "antifacção" sofreu derrotas, com textos sendo alterados e articulados por opositores, como o secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, que retomou seu mandato de deputado para votar a matéria.

Além disso, a PEC da Segurança Pública, texto prioritário do governo, deve ser discutida na Câmara dos Deputados nesta semana, mas a expectativa é que a proposta sofra várias alterações, conforme sinalizado pelo relator.