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Lula faz duro discurso na Colômbia e diz estar indignado com a ONU

Presidente critica potências globais, cobra ação da ONU diante de guerras e defende protagonismo de países do Sul Global no cenário internacional

Da redação
DA REDAÇÃO

21/03/2026 • 14:32 • Atualizado em 21/03/2026 • 14:39

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião de Chefes de Estado CELAC-África, no Centro de Convenções Ágora. Bogotá - Colômbia.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião de Chefes de Estado CELAC-África, no Centro de Convenções Ágora. Bogotá - Colômbia.

Ricardo Stuckert / PR

Resumo

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Fórum Celac-África, em Bogotá, destacou críticas contundentes ao Conselho de Segurança da ONU e às grandes potências globais, apontando falhas na atuação diante de conflitos internacionais e questionando a legitimidade de intervenções externas.

A defesa de maior cooperação entre países latino-americanos e africanos foi enfatizada por Lula, que abordou a disputa por minerais críticos, a necessidade de desenvolvimento econômico local, o avanço em inteligência artificial e a regulação do ambiente digital, além de condenar práticas consideradas neoextrativistas.

A preocupação com o aumento de conflitos mundiais e seus impactos econômicos, a crítica a sanções contra Cuba e Venezuela, e a valorização da integração regional, com menção à União Africana e à dívida histórica do Brasil com o continente africano, marcaram as ideias centrais do discurso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente neste sábado (21), em defesa de países da América Latina e da África e com críticas às grandes potências globais. Durante participação no Fórum Celac-África, em Bogotá, ele afirmou estar “indignado com a passividade” dos membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) diante de conflitos internacionais.

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Ao longo da fala, em parte lida e em parte improvisada, Lula demonstrou irritação em diversos momentos, chegando a bater na mesa enquanto criticava o papel das potências mundiais. Segundo o presidente, há uma “falha total” no funcionamento da ONU. “O Conselho de Segurança foi criado para manter a paz, mas são seus membros que estão fazendo as guerras”, afirmou, ao questionar quando haverá medidas para impedir que países mais fortes se imponham sobre nações mais frágeis.

O presidente citou conflitos em regiões como Faixa de Gaza, Iraque, Líbia, Ucrânia e Irã, criticando a incapacidade de resolução diplomática. “Tudo se resolve por guerra? Quem tem mais canhão se acha dono do mundo?”, disse.

Lula também abordou a disputa global por minerais críticos e terras raras, defendendo que países em desenvolvimento utilizem esses recursos para impulsionar suas economias. Segundo ele, há interesse das grandes potências em controlar essas reservas. “Depois de levarem tudo o que a gente tinha, agora querem ser donos dos minerais que temos”, afirmou, ao defender que empresas estrangeiras se instalem nesses países, mas contribuam para o desenvolvimento local.

Ainda durante o discurso, o presidente criticou ações contra países como Cuba e Venezuela e questionou a legitimidade de intervenções internacionais. Ele também destacou a necessidade de maior cooperação entre países do Sul Global para evitar práticas que classificou como “neoextrativistas”.

Lula afirmou estar “extremamente preocupado” com o cenário internacional atual, que, segundo ele, representa a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. Para o presidente, as guerras em curso têm impactos diretos na economia global, elevando os preços da energia e dos alimentos.

O petista também defendeu que países latino-americanos e africanos avancem no uso da inteligência artificial em áreas como agricultura, saúde e educação, além de defender a regulação do ambiente digital como forma de proteção à população.

Por fim, Lula citou a União Africana como exemplo de integração regional e afirmou que o Brasil ainda tem uma dívida histórica com o continente africano. “Enfrentar juntos a herança colonial é o melhor tributo à nossa história compartilhada”, declarou.

*Com informações do Estadão Conteúdo.