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Lula participa de reunião virtual do Brics sobre guerras, tarifaço e COP 30

Cúpula foi organizada pelo Brasil, que está na presidência rotativa do bloco de países emergentes

da redação com agência brasil
DA REDAÇÃO COM AGÊNCIA BRASIL

08/09/2025 • 09:47 • Atualizado em 08/09/2025 • 09:47

Cúpula do Brics

Cúpula do Brics

Ricardo Stuckert/Presidência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, na manhã desta segunda-feira (8), de uma reunião virtual com líderes dos países membros do Brics.

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A cúpula foi organizada pelo Brasil, que está na presidência rotativa do bloco de países emergentes, para coordenar estratégias centradas no multilateralismo, em meio à nova política dos Estados Unidos de elevar as tarifas contra parceiros comerciais.

O fortalecimento de acordos e o uso de moedas nacionais e mecanismos alternativos de comércio devem ser discutidos, bem como as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza e a necessidade de reformas nas instituições de governança global.

Lula também deve reforçar o convite aos líderes para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em Belém, em novembro.

O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump tenta reverter a relativa perda de competitividade da economia do país norte-americano para a China nas últimas décadas.

A reunião extraordinária ocorre dois meses após a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, momento em que Trump voltou a ameaçar os países que se alinhassem às políticas do bloco.

O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China – que são os países fundadores –, África do Sul – que integrou o bloco logo após a criação –, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Conflitos

Em discurso, Lula pontuou que quando o princípio da igualdade soberana dos Estados deixa de ser observado, a ingerência em assuntos internos se torna prática comum.

“A solução pacífica de controvérsias dá lugar a condutas belicosas. Sem amparo no direito internacional, os fracassos vivenciados no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria voltarão a se repetir”, afirmou.

Ao citar a Ucrânia, o presidente brasileiro destacou que é preciso pavimentar caminhos para uma solução realista, que respeite as legitimas preocupações de segurança de todas as partes.

“O encontro no Alasca e seus desdobramentos em Washington são passos na direção correta para pôr fim a esse conflito. A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos para a Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir por meio da promoção do diálogo e da diplomacia”, observa Lula.

Para o líder brasileiro, a decisão de Israel de assumir o controle da Faixa de Gaza e a ameaça de anexação da Cisjordânia requer “firme condenação” do bloco.

“É urgente colocar fim ao genocídio em curso e suspender as ações militares nos Territórios Palestinos. O Brasil decidiu entrar como parte na ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça”, relembra. “Reiterar o compromisso com a Solução de Dois Estados estará no centro da atuação brasileira na Conferência de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão Palestina”.

Defesa do multilateralismo

Lula também abordou a reunião para a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que será realizada neste mês. Segundo ele, será uma oportunidade para falem “com uma só voz em defesa de um multilateralismo revigorado.”

COP 30

“O impacto do unilateralismo também é grave na esfera ambiental. Os países em desenvolvimento são os mais impactados pela mudança do clima. A COP30, em Belém, será o momento da verdade e da ciência. Além de trabalhar pela descarbonização planejada da economia global, podemos utilizar os combustíveis fósseis para financiar a transição ecológica”, disse Lula.

O presidente também afirmou que é preciso uma governança climática mais forte, capaz de exercer supervisão efetiva e convidou os países do Brics a considerar a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU.