
Jorge Messias
Daniel Estevão/AscomAGU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não enviou ao Senado Federal a mensagem oficial com a indicação de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União (AGU), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A cautela do Planalto se deve à falta de garantias de que o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (União-AP), pautará a votação sem sofrer adiamentos.
Em conversa exclusiva, o presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA) — que se recupera de uma cirurgia —, afirmou que o clima em relação à indicação de Messias é de "muita incerteza". O governo federal monitora os movimentos de Alcolumbre e só pretende oficializar o nome quando tiver segurança absoluta de que a sabatina e a votação não serão postergadas.
Articulação intensa nos bastidores
Apesar da hesitação do Palácio do Planalto em formalizar o envio do nome, Jorge Messias mantém uma agenda intensa de articulação política. O "beija-mão" — termo usado para descrever a busca por apoio entre os parlamentares — não foi interrompido sequer durante o período de recesso.
O AGU tem concentrado esforços para reduzir resistências e consolidar uma base de apoio sólida na Casa Revisora. Messias busca convencer os senadores de sua viabilidade técnica e política, tentando blindar sua indicação de eventuais impasses entre o Executivo e o Legislativo.
O papel de Davi Alcolumbre
O controle do calendário de votações na CCJ é o principal ponto de preocupação do governo. Como Alcolumbre detém o poder de definir quando as sabatinas ocorrem, Lula teme que a indicação fique "na gaveta" caso as negociações políticas entre o Planalto e o comando do Senado não estejam totalmente alinhadas.
Para interlocutores do governo, o risco de um desgaste político é alto se a mensagem for enviada sem um acordo prévio. Por isso, a ordem é aguardar um sinal claro de que o rito seguirá sem interrupções por parte de Alcolumbre, evitando que o nome de Jorge Messias sofra uma exposição negativa prolongada antes da votação definitiva.
Incerteza na CCJ
A declaração de Otto Alencar reforça que, mesmo entre as lideranças do Senado, não há um consenso sobre o desfecho da indicação. A incerteza apontada pelo presidente da CCJ reflete o atual momento de tensão e negociação que define a relação entre o governo Lula e o Congresso Nacional.
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