
Haddad e Lula no Planalto
REUTERS/Adriano Machado
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve se reunir nesta quarta-feira (24), em Brasília, com o ex-ministro Márcio França (PSB), o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para tentar definir a composição da chapa que vai disputar o governo de São Paulo.
Integrantes do PT paulista afirmam que a reunião tem como objetivo bater o martelo sobre quem ocupará a cabeça de chapa e a vaga de vice na aliança entre petistas e pessebistas no Estado.
Pressão por França na vice de Haddad
Como já havia sido indicado por Lula a aliados no fim do mês passado, a preferência do presidente é que Márcio França aceite ser candidato a vice-governador na chapa liderada por Haddad, pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes.
Inicialmente, França insistia em disputar uma vaga ao Senado. Com Simone Tebet (PSB) já confirmada para uma das cadeiras, ele travava disputa com Marina Silva (Rede) pela segunda posição na chapa majoritária.
Nos últimos dias, porém, o cenário em São Paulo mudou. Após Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) anunciarem que não serão candidatos ao governo paulista, França passou a se movimentar para concorrer diretamente ao Executivo estadual.
Temor de vitória de Tarcísio no primeiro turno
Segundo aliados de França, o principal argumento para que ele tente a candidatura própria é que, sem uma terceira via competitiva, a eleição ficaria esvaziada, aumentando as chances de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) encerrar a disputa ainda no primeiro turno.
Na avaliação desses interlocutores, uma vitória folgada de Tarcísio em São Paulo teria impacto direto no projeto nacional da esquerda. Lula poderia ficar sem um aliado disputando o segundo turno no maior colégio eleitoral do País, enquanto o governador teria mais liberdade para se dedicar à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Petistas defendem França como vice
Aliados de Haddad contestam a leitura feita pelo grupo de França. Para dirigentes petistas, a entrada do ex-ministro como candidato ao governo tende a dividir o campo progressista e atrair votos do próprio Haddad, em vez de retirar apoio de Tarcísio.
Na visão desses integrantes, França contribuiria mais para enfrentar o governador se ocupasse a vaga de vice na chapa de Haddad, garantindo a unidade entre PT e PSB e ampliando o tempo de televisão da coligação.
A reunião em Brasília é vista como decisiva para que Lula, Haddad, França e Alckmin encontrem uma solução de consenso e evitem rachas na base aliada às vésperas da definição das candidaturas em São Paulo.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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