
Lula na COP30
Bruno Peres/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna nesta quarta-feira (19) à COP30, em Belém, para atuar diretamente na reta final das negociações climáticas e para participar de um encontro com lideranças indígenas, marcado após forte pressão dos povos originários.
A reportagem da Band apurou que o petista também se encontrará com indígenas da etnia que invadiu a conferência, os Tupinambás. No entanto, na agenda de Lula só consta a ida para Belém.
A presença presidencial ganha ainda mais peso diante dos anúncios feitos pelo governo sobre novas demarcações de terras indígenas.
Como destacou o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago: “(O presidente Lula) vai ter uma programação intensa. Vai conversar com países, vai conversar com a sociedade civil. Vai ser uma agenda muito intensa.”
Pacote de demarcações anunciado na véspera
O governo anunciou ontem um conjunto de 20 avanços em processos de demarcação de Terras Indígenas, apresentados como um gesto político em meio à COP30. O pacote inclui:
- Quatro homologações: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Manoki (MT), Estação Parecis (MT) e Uirapuru (MT);
- Dez portarias declaratórias: Vista Alegre (AM), Tupinambá de Olivença (BA), Comexatiba (BA), Ypoi Triunfo (MS), Sawre Ba’pim (PA), Pankará da Serra do Arapuá (PE), Sambaqui (PR), Ka’aguy Hovy (SP), Pakurity (SP) e Ka’aguy Mirim (SP);
- Seis relatórios de identificação (RCIDs) aprovados pela Funai.
O governo argumenta que o avanço nesses processos reforça a proteção das florestas e contribui diretamente para a mitigação da crise climática, ao mesmo tempo em que responde a demandas históricas dos povos indígenas.
Temas sensíveis na agenda de Lula
1. Financiamento climático
O maior impasse da conferência gira em torno do novo acordo global de financiamento. Países em desenvolvimento pressionam por compromissos mais altos e previsíveis das nações ricas — especialmente para ações de mitigação, adaptação e proteção de florestas tropicais. Sem essa definição, negociadores avaliam que o resultado da COP30 corre risco de ser considerado tímido.
2. Desmatamento e metas pós 2030
Com o anúncio das demarcações, o governo busca reforçar sua narrativa de preservação. Lula deve defender metas mais ambiciosas para o período pós 2030 e tentar aproximar países que resistem a assumir compromissos firmes.
3. Direitos indígenas
As demarcações dão resposta parcial às cobranças de lideranças indígenas, que exigem mais participação nas decisões climáticas e garantias de que os processos anunciados não fiquem restritos ao papel.
O encontro marcado para esta quarta, obtido após pressão no plenário e nos corredores da COP, será um dos momentos politicamente mais delicados do dia.
4. Mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis
Outro ponto de tensão será o debate sobre o “mapa do caminho” para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, uma das pautas mais controversas da conferência.
Países vulneráveis ao aquecimento global têm cobrado um compromisso explícito para o fim do petróleo, carvão e gás. O Brasil tenta equilibrar o discurso: reconhece a necessidade de transição, mas defende que ela ocorra de forma “justa” para países produtores e dependentes da renda energética.
O tema pode ganhar tração com a chegada de Lula, mas também tende a gerar atritos com países que esperam uma posição mais firme do Brasil.
5. Reconhecimento internacional
Com o pacote de demarcações e a articulação sobre financiamento, o governo tenta reforçar o papel do Brasil como articulador climático global. A estratégia é mostrar que política ambiental e justiça social caminham juntas e posicionar o país como exemplo para outras nações tropicais.
Encontro com lideranças indígenas
Após cobranças públicas e privadas, Lula incluiu na agenda um encontro com lideranças indígenas que participam da COP30. Representantes de diversas etnias pressionam por compromissos mais contundentes contra.
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