
Flotilha a caminho de Gaza
REUTERS/Stefanos Rapanis/File Photo
No horizonte do Mediterrâneo, os 47 barcos da flotilha Sumud Global, com uma carga simbólica de ajuda humanitária para Gaza, foram interceptados pela marinha israelense. Uma entre os 500 ativistas a bordo, a sueca Greta Thunberg aparece nas primeiras fotos, detida por um fuzileiro naval. A bordo há 18 brasileiros.
Em Jerusalém, judeus lotaram o Muro das Lamentações, rezando por perdão e pela inscrição de mais um ano no livro da vida — o ritual do Yom Kipur, o Dia do Perdão, que vai terminar no anoitecer de quinta-feira. Israel está paralisado, comércio e vida noturna fechados, a maioria dos israelenses jejuando por 15 horas. As crianças invadem as ruas sem trânsito.
Nos túneis de Gaza, no Catar e na Turquia, o Hamas discute o plano de paz de Donald Trump, já aprovado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Como os negociadores israelenses fizeram, a cúpula palestina está colecionando emendas para reivindicar algumas mudanças no texto divulgado pela Casa Branca, na segunda-feira.
Foi o 726º dia da guerra em Gaza.
A marinha israelense embaralhou o GPS dos 47 barcos, cortou sua comunicação e abordou o Alma, o líder da flotilha Sumud (Perseverança, ou resiliência, em árabe), em que navegava Greta Thunberg. Os chanceleres da Grécia e Itália apelaram para que a flotilha voltasse e para que Israel não a interceptasse com violência.
O governo israelense propôs entregar em Gaza a ajuda humanitária a bordo, mas a oferta foi recusada. Agora, alguns dos barcos seguem para o porto de Ashdot, onde seus tripulantes ficarão detidos até serem deportados. O bloqueio naval de Gaza existe desde 2007, quando o Hamas expulsou a Autoridade Palestina, depois de vencer uma rara eleição e assumir o poder.
Israel declarou nesta quinta-feira que seu cerco militar à Cidade de Gaza foi concluído, cortada a passagem entre Norte e Sul com a tomada do corredor Netzarim. Mas, mesmo assim, o Hamas conseguiu disparar dois mísseis contra as comunidades de Kfar Aza, Nir Am, Mefalsim e Saad, interceptados pela defesa aérea israelense.
O ministro da Defesa Israel Katz advertiu que estava dando uma última oportunidade aos residentes civis de partir para áreas mais seguras antes do assalto final ao batalhão remanescente do Hamas, que deve estar guardando os 20 reféns vivos e os corpos de outros 28, mortos, para a troca por 1.250 prisioneiros palestinos, se o acordo proposto por Trump for finalizado. Restam 20% do milhão de palestinos deslocados.
As emendas que o Hamas quer no texto do acordo são relativas ao seu pretendido desarmamento e à sua expulsão de Gaza, além de garantias internacionais de que Israel se retirará de todo o território ocupado, embora mantendo uma estreita faixa de zona tampão para resguardar a sua fronteira.
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