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Vieira diz que visita de assessor dos EUA não previa encontro com Bolsonaro

Ministro das Relações Exteriores afirma que visto foi concedido apenas para fins oficiais e alerta que encontro em prisão seria "ingerência indevida" nos assuntos internos

RENAN MELO XAVIER

12/03/2026 • 18:46 • Atualizado em 12/03/2026 • 18:46

Bastidores de Brasília
Mauro Vieira diz que visita de assessor de Trump não previa Bolsonaro

Mauro Vieira diz que visita de assessor de Trump não previa Bolsonaro

Adriano Machado/Reuters

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma manifestação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esclarecendo os termos da visita diplomática de Darren Beattie ao Brasil. Beattie, que atua como assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, não incluiu em seu roteiro oficial qualquer previsão de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.

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De acordo com o documento enviado ao STF, o Itamaraty informou que a concessão do visto de entrada no país foi baseada estritamente na justificativa apresentada pelo governo americano. No momento da solicitação feita ao Consulado-Geral, não havia menção a encontros que fugissem dos objetivos institucionais comunicados oficialmente.

Para reforçar que a visita a Bolsonaro foi um movimento paralelo, o Itamaraty relatou a Moraes que o governo norte-americano só procurou o Ministério das Relações Exteriores para agendar encontros oficiais no dia 11 de março — um dia após os advogados de Bolsonaro solicitarem a visita na prisão. Os pedidos de reunião de Beattie com autoridades do MRE ainda constavam como "não confirmados" até o fechamento do ofício.

Alerta sobre ingerência externa

Mauro Vieira destacou que o processamento do pedido seguiu os protocolos normais para funcionários de Estado estrangeiros, mas ressaltou a gravidade de uma eventual alteração na agenda. Para o chanceler, o uso de uma viagem oficial para visitar um ex-mandatário detido, especialmente em ano eleitoral, extrapola os limites diplomáticos.

O ministro foi enfático ao afirmar que tal conduta poderia configurar uma "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro". A manifestação ocorre em meio à vigilância das autoridades brasileiras sobre movimentações políticas que possam interferir na estabilidade institucional e no processo eleitoral em curso.

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