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STF aciona Itamaraty por agenda de assessor de Trump que visitará Bolsonaro

Ministro do STF quer saber se Darren Beattie tem compromissos oficiais e pedido formal de visita a Jair Bolsonaro na Papudinha

Da redação com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

12/03/2026 • 11:41 • Atualizado em 12/03/2026 • 11:51

Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos

Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos

Divulgação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pediu nesta quarta-feira (11) que o Itamaraty informe se o assessor de Donald Trump, Darren Beattie, terá agenda oficial no Brasil após apresentar pedido formal para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, em Brasília.

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Na decisão, Moraes solicitou ao Ministério das Relações Exteriores "informações sobre a existência de agenda diplomática de Darren Beattie, atual Senior Advisor for Brazil Policy do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América e eventual pedido de visitação a Jair Messias Bolsonaro".

O despacho ocorre após os advogados de Bolsonaro pedirem a remarcação de uma visita de Beattie, autorizada previamente pelo STF para a próxima quarta-feira, 18, para os dias 16 ou 17. A defesa alega que o assessor já tem compromissos no País que não podem ser alterados, o que inviabilizaria o encontro na data fixada.

Para os representantes do ex-presidente, a escolha da quarta-feira "acaba por inviabilizar materialmente a própria realização da visita autorizada". Eles sustentam que, por se tratar de funcionário "de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos", não haveria possibilidade concreta de estender a permanência de Beattie no Brasil.

Interlocutores do Itamaraty avaliam como uma "provocação" o pedido da defesa de Bolsonaro para a visita de Beattie na prisão. Para membros do Ministério das Relações Exteriores, a movimentação tem caráter político e busca criar um foco de tensão para desgastar a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo direto de interferir nas negociações para um encontro oficial entre o presidente Lula e o republicano em Washington..

Regras de visita na Papudinha

Antes de acionar o Itamaraty, Moraes havia determinado que o encontro ocorresse na quarta-feira por ser o dia específico de visitas no 19.º Batalhão da Polícia Militar do DF, a Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Na decisão, o ministro afirmou que "não há previsão legal ou excepcionalidade para realizar alteração específica de dia de visitação", ressaltando que os visitantes devem se adequar ao regime do estabelecimento prisional "e não o contrário", para preservar a organização administrativa e a segurança do local.

Com o pedido de informações ao Ministério das Relações Exteriores, Moraes busca esclarecer se a agenda de Beattie no Brasil tem caráter oficial e se o encontro com Bolsonaro foi solicitado por meio de canais diplomáticos.

Quem é Darren Beattie e objetivo da viagem

Segundo os advogados de Bolsonaro, Beattie virá ao País com o objetivo de entender como funciona o processo eleitoral brasileiro. Para a defesa, a visita do americano se "reveste de evidente interesse institucional".

Nomeado no mês passado para o cargo de Senior Advisor for Brazil Policy, Beattie está encarregado de direcionar políticas e ações entre Washington e Brasília, conforme registra a decisão de Moraes. Nos autos, ele também é identificado como assessor de Donald Trump.

A defesa de Bolsonaro afirma ainda que, em razão do posto que ocupa no governo norte-americano, Beattie teria uma agenda rígida, sem margem para alterações de última hora. O assessor é crítico do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do próprio Moraes por causa da condução do processo sobre a tentativa de golpe de Estado.