
Melatonina
Reprodução/Band
A procura por melatonina atingiu o maior patamar da história no Google Trends, com um salto de mais de 30% em relação a 2024. Segundo dados da Sala Digital, o Brasil subiu da quinta posição para liderar as buscas globais por melatonina em 2025.
Para que serve?
A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal que ajuda a regular o ciclo sono-vigília. Em formas sintéticas, é oferecida como suplemento para ajudar a sincronizar o relógio interno — especialmente em situações como jet lag, trabalho em turnos e alguns distúrbios do sono.
Estudos mostram efeito mais consistente para reduzir o tempo que a pessoa demora a pegar no sono do que para “curar” insônia crônica ou problemas de sono complexos.
Regulamentação no Brasil
No Brasil, a Anvisa autorizou a melatonina como ingrediente de suplementos alimentares apenas para maiores de 19 anos, com consumo diário máximo de 0,21 mg, e exige avisos de uso: não recomendada para gestantes, lactantes, crianças e pessoas que realizem atividades que exijam atenção constante.
A agência também já proibiu comercialização de produtos voltados a crianças que continham melatonina devido à falta de comprovação de segurança nessa faixa etária.
Quem pode tomar?
Entre os termos mais buscados de 2025, um padrão chama atenção: os termos que mais bombaram associados a “... pode tomar melatonina?” mostram que o debate não é mais se a melatonina funciona, mas quem pode usá-la com segurança. É o tipo de dúvida que surge quando um produto deixa de ser novidade e passa a circular amplamente no cotidiano.
O brasileiro está tentando entender os limites do consumo, num equilíbrio entre a promessa de um sono melhor e o medo dos efeitos de um uso sem orientação.

1) Criança pode tomar melatonina?
Não como suplemento de venda livre. A Anvisa não autoriza suplementos de melatonina para crianças e adolescentes; tratamentos com melatonina em pediatria só devem ocorrer sob orientação médica especializada, em contextos clínicos bem definidos (por exemplo, alguns casos de transtornos do sono em crianças com condições neurológicas), e com acompanhamento. Além disso, os efeitos a longo prazo em desenvolvimento não são bem estabelecidos
2) Grávida pode tomar melatonina?
Não sem orientação médica. Há falta de evidência robusta sobre segurança durante gravidez e lactação; recomendações oficiais orientam cautela e, em geral, não recomendam uso sem supervisão de um profissional. A melatonina é detectada no leite materno e seu efeito sobre o bebê a longo prazo é incerto.
3) Cachorro pode tomar melatonina?
Apenas com orientação veterinária. Animais metabolizam substâncias de modo distinto; doses, formulações e riscos variam. Há uso veterinário controlado em alguns casos (p. ex. ansiedade de separação), mas a automedicação pode ser perigosa. Peça instrução ao veterinário e use produtos formulados para pets.
4) Quem não pode tomar melatonina?
Gestantes, lactantes, crianças/adolescentes (como padrão para suplementos), pessoas em atividades que exijam atenção constante sem avaliar sonolência, e pessoas com condições clínicas específicas sem orientação.
Avisos regulatórios e evidências mostram lacunas de segurança em grupos vulneráveis; além disso, melatonina pode interagir com medicamentos (anticoagulantes, imunossupressores, alguns antidepressivos, entre outros) — por isso a necessidade de checar com um médico.
5) Quem tem pressão alta pode tomar melatonina?
Depende — consulte o seu médico. Há estudos que apontam efeitos modestos sobre pressão arterial (alguns mostraram redução em certos protocolos; outros, efeito neutro). A evidência é heterogênea e depende da formulação (liberação imediata vs controlada), da dose e do perfil do paciente; por isso, hipertensos devem discutir caso a caso com o cardiologista ou clínico.
6) Qualquer pessoa pode tomar melatonina?
Sem critério, não. A melatonina pode ajudar em casos pontuais (jet lag, ajuste de sono) e ser útil para algumas pessoas; mas a facilidade de acesso e a normalização do uso como “remédio rápido” trazem riscos: dosagens não padronizadas, interações e expectativas irreais. Em muitos casos, mudanças de higiene do sono, rotina e avaliação médica são mais indicadas do que a suplementação imediata.
Pesquisas recentes continuam investigando a segurança do uso prolongado. Um estudo observacional apresentado em 2025 levantou preocupação sobre associação entre uso prolongado de melatonina e risco aumentado de problemas cardíacos em uma grande coorte.
A explosão de interesse por melatonina revela três tendências claras: a busca por uma solução instantânea, a normalização do consumo sem controle e a tradução de uma ansiedade coletiva em números de busca. A melatonina virou sinônimo de “atalho” para dormir: em vez de enfrentar causas profundas (como estresse, excesso de telas ou jornadas longas), muitos preferem a promessa rápida de uma cápsula.
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