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Mercado de trabalho consolida parcerias entre humanos e IA

Automação assume tarefas operacionais enquanto competências como criatividade e julgamento ganham valor estratégico na economia híbrida

Da redação
DA REDAÇÃO

12/01/2026 • 16:07 • Atualizado em 12/01/2026 • 16:07

Inteligência Artificial

Inteligência Artificial

Divulgação/Freepik

O mercado de trabalho em 2026 consolida uma mudança estrutural definitiva: a transição para um sistema híbrido onde humanos, agentes digitais e robôs operam em conjunto. A evolução acelerada da Inteligência Artificial (IA) nos últimos dois anos está a remodelar a lógica das profissões, transformando o papel das competências humanas nas organizações.

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De acordo com o estudo Agents, Robots, and Us: Skill Partnerships in the Age of AI, da consultoria McKinsey, as tecnologias atuais já teriam capacidade para automatizar 57% das horas trabalhadas nos Estados Unidos. O impacto, contudo, não se traduz na eliminação total de postos, mas numa reorganização das funções. Enquanto a IA assume tarefas mecânicas e previsíveis, os profissionais focam-se em atividades que exigem empatia, interação social e pensamento crítico.

A mudança no perfil das habilidades

Dados recentes indicam que as competências humanas estão a mudar de contexto em vez de desaparecerem. Atualmente, mais de 70% das habilidades utilizadas em funções automatizáveis também estão presentes em atividades não automatizáveis. O diferencial passa a ser o uso dessas capacidades para supervisionar e complementar os sistemas inteligentes.

Essa tendência reflete-se na procura do mercado: a exigência por fluência em IA — a competência para gerir estas ferramentas — cresceu quase sete vezes entre 2023 e 2025. Ao mesmo tempo, aumentou a procura por competências de comunicação, ensino e resolução de problemas. Em contrapartida, competências estruturais como pesquisa, redação e tarefas administrativas registam uma quebra de procura, uma vez que os agentes generativos realizam estas funções com maior eficiência.

Novos arquétipos e orquestração

A análise da McKinsey aponta para a fragmentação dos modelos de trabalho em sete novos arquétipos. Estes variam entre funções centradas em pessoas, como psicologia e enfermagem, e áreas altamente automatizáveis, como os setores jurídico, contabilístico e administrativo. No topo desta cadeia, surge o papel do humano como orquestrador de processos, e não apenas como operador.

Para Douglas Torres, CEO da Yup Chat e especialista em IA, a disputa atual não ocorre entre humanos e máquinas, mas entre modelos de trabalho. "Não estamos a caminhar para um mercado onde a IA substitui pessoas, mas sim para um mercado onde pessoas que sabem trabalhar com IA substituem quem não sabe", avalia o especialista.

Impacto económico e requalificação

O valor do trabalhador em 2026 passa a estar concentrado naquilo que a tecnologia ainda não consegue replicar: interpretação, negociação, imaginação e tomada de decisão. "A IA cuida do processo, nós cuidamos do propósito", defende Torres.

O sucesso das empresas neste novo cenário depende do investimento em requalificação e na reorganização dos fluxos de trabalho. A McKinsey estima que a integração plena desta dinâmica de cooperação entre humanos e tecnologia pode libertar até 2,9 biliões de dólares em valor económico nos EUA até o ano de 2030.

Principais arquétipos de trabalho identificados

Centrados em Pessoas: Enfermagem, psicologia e ensino.

Automatizáveis por Agentes: Áreas jurídicas, contabilísticas e administrativas.

Robotizados: Logística e produção industrial.

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