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Metanol tem gosto? As dúvidas dos brasileiros no Google

Casos de intoxicação levaram Brasil ao topo do ranking mundial de interesse de buscas sobre o composto químico

Da redação
DA REDAÇÃO

01/10/2025 • 14:42 • Atualizado em 01/10/2025 • 14:42

Metanol está sendo encontrado em bebidas destiladas em diversos locais de SP

Metanol está sendo encontrado em bebidas destiladas em diversos locais de SP

Reprodução/Pixabay

A preocupação gerada por casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no estado de São Paulo fez com que muitos brasileiros corressem ao Google atrás de informações. Dados do Google Trends apontam que o interesse de busca pelo composto químico atingiu um recorde histórico, considerando dados desde 2004.

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O termo “metanol bebida” figura entre os mais buscados no país no começo da semana, sendo superado apenas por temas como futebol, a novela “Vale Tudo” e mortes de personalidades, como o jornalista Paulo Soares e a atriz Berta Loran.

Nos últimos sete dias, o Brasil é o país com maior interesse de buscas sobre metanol. A repercussão também levantou dúvidas sobre o composto químico e seu risco à saúde. A Sala Digital Band Google responde, abaixo, perguntas entre as principais feitas sobre o assunto no Brasil nos últimos sete dias.

Metanol, o que é?

O metanol, também chamado de álcool metílico, é um líquido incolor, inflamável e altamente tóxico. Diferente do etanol (presente em bebidas), sua estrutura química tem apenas um átomo de carbono. Mesmo pequenas quantidades podem causar intoxicação grave ou morte.

Para que serve o metanol?

O metanol tem uso exclusivo industrial. É empregado como solvente em tintas, vernizes e adesivos, na produção de biodiesel, formaldeído e ácido acético, em anticongelantes e como combustível em alguns motores. Também compõe produtos de limpeza, como limpa-vidros. Não deve ser ingerido.

Bebidas alcoólicas têm metanol?

O metanol não pode ser adicionado a bebidas. Porém, pode surgir em concentrações mínimas e seguras durante a fermentação natural. O problema ocorre quando falsificadores adicionam metanol de forma ilegal para baratear a produção e aumentar o teor alcoólico, o que já resultou em apreensões de vinhos, uísques e cachaças contaminados acima do limite permitido.

Metanol e etanol, qual a diferença?

Apesar de ambos serem álcoois, o etanol é o que consumimos em cerveja, vinho e destilados, considerado seguro em doses moderadas. Já o metanol nunca deve ser ingerido. No corpo humano, o etanol é metabolizado em acetato (usado como energia), enquanto o metanol gera ácido fórmico, que envenena as células e pode causar cegueira e morte.

Como identificar metanol na bebida?

Não é possível identificar a olho nu ou pelo gosto e cheiro. O metanol é parecido com o etanol, mas mais suave. A detecção só pode ser feita em laboratório, por meio de testes como a cromatografia gasosa. Como precaução, desconfie de preços muito baixos, rótulos com erros, embalagens mal lacradas ou produtos sem certificação. Prefira comprar de locais confiáveis.

O que o metanol pode causar?

A ingestão de 10 ml já pode provocar intoxicação grave, e doses de 20 a 30 ml podem ser fatais. Os sintomas iniciais incluem náusea, vômito, dor abdominal, dor de cabeça e tontura, semelhantes a uma ressaca. Depois, podem surgir problemas de visão, falta de ar, convulsões, coma e falência de órgãos. A cegueira e danos neurológicos podem ser permanentes.

Metanol tem gosto?

Não há como identificar pelo sabor. Ele é incolor, com cheiro levemente adocicado, parecido com o etanol, mas menos intenso. Tentar identificar pelo paladar é arriscado e não confiável.

Qual o antídoto do metanol?

A intoxicação por metanol é uma emergência médica. O tratamento deve ser imediato e feito em hospital. Os principais antídotos são:

  • Fomepizol (preferencial, bloqueia a transformação em ácido fórmico);
  • Etanol (pode ser usado em hospitais na ausência do fomepizol);
  • O tratamento também pode incluir hemodiálise, uso de bicarbonato para corrigir a acidose e vitaminas como ácido fólico e tiamina. O tempo é decisivo: ao suspeitar de contaminação, é essencial buscar atendimento médico ou ligar para o SAMU (192).

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