
“Ucrânia: De Donbas a Kiev, 12 anos de guerra
Reprodução
O Museu da Fotografia Fortaleza (MFF) inaugura, no próximo dia 28 de março, uma mostra que propõe uma reflexão profunda sobre as camadas visuais e humanas dos conflitos contemporâneos. Intitulada “Ucrânia: De Donbas a Kiev, 12 anos de guerra”, a exposição reúne cerca de 60 imagens do fotógrafo e jornalista Yan Boechat, sob curadoria de Fernando Costa Netto.
O percurso expositivo foi desenhado como uma travessia emocional estruturada em três momentos distintos. No primeiro ato, o silêncio domina através de fotografias em preto e branco capturadas com uma câmera Rolleiflex analógica. A escolha técnica impõe uma desaceleração necessária, conferindo à guerra uma dimensão suspensa no tempo e convidando o visitante a encarar o detalhe e a densidade do que muitas vezes passa despercebido no fluxo das notícias diárias.
Em seguida, a exposição atinge seu ápice ao romper o distanciamento com o impacto das cores. Boechat apresenta o registro visceral do combate acontecendo em tempo real: soldados avançando sob fogo, explosões que rasgam o horizonte e blindados cruzando territórios devastados.
Na série “A Guerra em Cores”, a tonalidade deixa de ser um elemento estético para se tornar um componente de impacto, presente na poeira dos ataques e na luz dura que atravessa o caos, colocando o espectador na posição de testemunha ocular do conflito.
O encerramento da mostra mergulha na iconoclastia da guerra, focando na derrubada de monumentos soviéticos. O registro revela uma disputa que extrapola o campo de batalha físico: a tentativa de reescrever a história e reconstruir identidades nacionais enquanto narrativas inteiras entram em colapso.
Calendário
Ao trazer este acervo para Fortaleza, o MFF reafirma sua vocação como espaço de pensamento crítico, utilizando a fotografia como ferramenta essencial para romper a anestesia coletiva e impedir o esquecimento. A abertura integra o calendário oficial de aniversário de nove anos do museu e a mostra segue em cartaz até agosto de 2026.
Com passagens por zonas críticas como Iraque, Síria e Afeganistão, Yan Boechat acompanha o conflito ucraniano desde o seu início, em 2014. Seu trabalho nesta mostra constrói um dos registros mais contundentes de sua trajetória, buscando, em meio aos escombros e à destruição, os fragmentos daquilo que ainda resiste: o humano.
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