
EUA
Reprodução/Agência Brasil
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, falou nesta quinta-feira (27) sobre as expectativas do governo federal com a retomada das conversas com os Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros. Na avaliação dele, deve ser um "diálogo difícil" e de extrema complexidade.
A diretriz de Brasília é clara: o país entra na mesa sem vetos a temas, mas sob a premissa inegociável de salvaguardar o emprego, a indústria e o interesse do povo brasileiro, apontou o ministro em conversa com jornalistas sobre o encontro de representantes dos dois países, agendada para a próxima segunda-feira (31).
Eu sou um otimista. Negociador pessimista perde. Então eu sou otimista, mas é óbvio que vai ser um diálogo difícil, porque já foi difícil no passado, nós sabemos qual o caminho a percorrer e podem ficar absolutamente seguros: nós não vamos propor nada que não favoreça o interesse brasileiro. Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional. --Márcio Elias
A reunião virtul que acontecerá na segunda-feira deve retomar as negociações em relação as tarifas de 37,5% imposts ao Brasil em julho. A primeira, de 25%, foi determinada devido a uma supostaa desvantagem norte-americana no comércio bilateral. Já a segunda, de 12,5%, seria pelo Brasil falhar em algumas metas, como fiscalização ao trabalho escravo e controlar o desmtamento. O Brasil rejeita as justificativas da gestão Donald Trump.
O erro das ofertas prévias e a soberania
A expectativa do ministro para um ambiente de negociação mais equilibrado baseia-se na superação de um impasse inicial que travava o diálogo. Anteriormente, os EUA condicionavam a volta às mesas à apresentação, por parte do Brasil, de uma oferta tarifária prévia. Para o ministro, ceder a essa exigência significaria iniciar as tratativas em posição de submissão e desvantagem.
O cenário mudou após a articulação direta entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump (PT). O telefonema de Lula a Trump, que resultou na ordem expressa para o reinício das conversas, desatou o nó diplomático, avaliou ele. Com isso, o ministro espera conduzir um processo de "soberania e altivez", no qual o Brasil dita o seu próprio tempo, livre de pressões assimétricas.
Diante da previsão de discussões duras, a estratégia brasileira para mitigar o desgaste inicial será focar estritamente na metodologia. Márcio Elias Rosa revelou que a primeira reunião técnica não terá como objetivo a barganha de tarifas ou o debate de listas de exceção. A expectativa é pactuar primeiro o método de trabalho.
O ministro pretende evitar discussões desorganizadas e intermináveis sobre múltiplos setores (como etanol, açúcar, autopeças, defensivos, fertilizantes e bens industriais). A intenção é definir se as negociações caminharão para um tratado amplo, acordos setoriais fragmentados ou listas específicas de exceções, tomando como lição o acordo Mercosul-Índia, classificado por ele como "tímido" por regular poucas linhas tarifárias.
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