Você já deve ter lido que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, viajou para Lima para assistir à final da Libertadores entre o Flamengo e o Palmeiras, que é o time dele. E que foi para lá de carona, num jatinho de empresário, ao lado de dois advogados, os dois ligados ao Banco Máster.
A essa altura do campeonato, você sabe também que Dias Toffoli assumiu a relatoria das investigações que correm no Supremo sobre o Banco Máster. Então, olha que bonito: Ministro relator do caso Máster viajando para Lima ao lado de advogados ligados ao Banco Máster.
É uma notícia escandalosa, vai. Agora, ela é escandalosa não porque Toffoli se tornou relator do caso Máster. Ela já seria escandalosa qualquer que fosse o ministro do Supremo embarcando naquele avião. Porque ministros do Supremo deveriam ser exemplo de comportamento. E como já disse um empresário que está acostumado a se relacionar com alguns ministros do Supremo: 'Eu convivo com vários ministros. Mas eu admiro mesmo aqueles que não aceitam os convites que eu faço'. É.
A gente deveria poder virar para o filho da gente, para a filha da gente e falar assim: 'Olha, eu não sei o que você vai fazer da sua vida, tá? Mas qualquer coisa que você venha a fazer, eu gostaria que adotasse o comportamento ético de um ministro do Supremo'. Aí você fala isso, o teu filho, a tua filha pegam o celular, ligam a televisão e mostram para você a notícia: 'Olha só, o ministro Toffoli embarcando para Lima'.
E aí você fica sem saber onde enfiar a cara. O máximo que você pode fazer para amenizar a história é ficar nos detalhes. Toffoli viajou quando ele ainda não era relator do caso Máster, porque ele virou relator no dia da viagem. Ou seja, quando embarcaram não era. Ok.
Quando o empresário dono do avião comprou os ingressos para os advogados e para o ministro, quando reservou o hotel Intercontinental de Lima, quando reservou mesa no restaurante La Gloria, onde a turma comeu, que também fica na capital peruana, o dono do Máster, o tal do Daniel Vorcaro, ainda nem tinha sido preso. Verdade.
Mas mesmo depurando a informação, a gente continua a ter a questão essencial do conflito de interesses. De um lado, a gente tem um juiz que está no topo da cadeia alimentar do judiciário e de outro, advogados que precisam de acesso ao poder judiciário.
Será que essa experiência jurídico-esportiva que os advogados tiveram não ajuda em nada na relação com o ministro? Atrapalhar não atrapalha. Se para eles é bom ter um ministro amigo e palmeirense como eles, para quem eles possam ligar e podem ter um companheiro de viagem, com quem deram boas risadas... para a sociedade, o que a gente tem em Brasília, infelizmente, é mais um exemplo de ministro do Supremo que aceita favores. E que se expõe a uma discussão de natureza ética.
Toffoli é o único? Não. Seria injusto dizer isso. Tem várias discussões de natureza ética envolvendo o Supremo nesse momento. Infelizmente, a prudência recomenda que a gente não use o exemplo do STF de comportamento adequado para os nossos filhos. Já pôde fazer isso um dia, mas por enquanto, pelo menos por ora, não dá não.
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