
Míssil do Iêmen acerta aeroporto em Israel
Reprodução/Redes Sociais
O quarto míssil balístico disparado do Iêmen pelos Houthis em 48 horas, neste domingo, atravessou todas as camadas da sofisticada defesa aérea de Israel e explodiu perto do terminal três do aeroporto internacional Ben Gurion, em Tel Aviv. Seis feridos leves, dezenas de voos suspensos, milhares de israelenses em abrigos antiaéreos e o governo de Benjamin Netanyahu reunido para executar a promessa de retaliação.
O ex-chefe militar de Israel, Benny Gantz, líder de um partido centrista na oposição, sugeriu que o alvo da retaliação seja o Irã, o fornecedor de mísseis balísticos para os Houthis: “Isso não é o Iêmen — isso é o Irã”, ele postou em redes sociais. Seria uma desculpa para Netanyahu atacar o Irã, que está negociando um acordo nuclear com o presidente Donald Trump que não deverá acabar com o temor israelense de uma bomba atômica iraniana.
Ao post de Trump, em sua plataforma Truth Social, responsabilizando o Irã pelos ataques Houthis, Netanyahu acrescentou: “Os ataques dos Houthis emanam do Irã. Israel vai responder ao míssil contra nosso principal aeroporto no tempo e local que escolher contra os mestres terroristas iranianos”. O ministro da Defesa, Israel Katz, ameaçou uma retaliação “sete vezes maior” do que o ataque.
Domingo é o primeiro dia útil da semana em Israel. Havia mais de 420 pousos e decolagens no aeroporto de Tel Aviv, a maioria cancelada. O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, advertiu as companhias aéreas internacionais a evitarem o aeroporto Ben Gurion, porque ele deverá ser alvo de novos ataques.
O míssil balístico passou pelo sistema de defesa aéreo Arrow, que cobre além da atmosfera, e o THAAD, o mais avançado dos EUA, enviado a Israel em outubro. Um sucesso dos Houthis e um fracasso israelense.
O especialista em defesa aérea Daniel Bachmat, no X, comparou o drible do míssil balístico pelas várias camadas de defesa de Israel, à façanha de aviões argentinos ao atacar os navios superprotegidos da Grã-Bretanha na Guerra das Malvinas, em 1982. Outro exemplo são os drones ucranianos que alcançam Moscou. “No ar, a defesa está sempre em enorme desvantagem”, ele explica.
“Ela é lenta e o oponente, rápido. Ela precisa estar pronta o tempo todo, o oponente ataca na hora que escolher. Ela depende de uma cadeia de muitas ações que precisam acontecer com perfeita confiabilidade. A defesa aérea nunca será hermética e é difícil imaginar situações em que ela seja eficaz. Os sucessos do Iron Dome são a exceção extraordinária na história mundial”.
Há um mês os EUA têm bombardeado os Houthis, que atacam navios comerciais e militares no Mar Vermelho e Golfo de Aden, desde o início da guerra em Gaza, em 2023, em solidariedade ao Hamas, que elogiou o míssil balístico que acertou Israel neste domingo. Foi o primeiro que chegou ao alvo. Um míssil do Hezbollah acertou o perímetro do aeroporto em novembro.
O primeiro-ministro Netanyahu tinha uma reunião marcada para aprovar a convocação de mais reservistas para uma escalada em Gaza, logo depois que for restaurada a ajuda humanitária para a população palestina, em preparativo final. Antes, ele falou por telefone com os principais responsáveis pela defesa nacional.
O aeroporto Ben Gurion reabriu uma hora depois de ser atacado. Mas aí as companhias aéreas Lufthansa, Swiss, Austrian Airlines, Bruxelas Airlines e a espanhola Air Europa já tinham cancelado seus voos.
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