
Pista de pouso de dois mil metros a 90 quilômetros da base dos rebeldes iemenitas Houthis
Photo: Planet Labs PBC via AP
De repente, uma pista de pouso de dois mil metros, asfaltada, surgiu pronta, a 90 quilômetros da base dos rebeldes iemenitas Houthis no porto de Hodeida, no Iêmen.
Mistério: nenhum país assumiu a responsabilidade pela construção desse aeroporto improvisado, na ilha vulcânica Zukar, no Mar Vermelho, na costa do Iêmen -- um ponto estratégico para vigiar as águas em que cerca de cem navios comerciais foram atacados pelos Houthis desde o início da guerra em Gaza, em 2023. Quatro deles foram afundados e nove marinheiros mortos.
A Eritreia capturou a ilha de Zukar em 1995, mas em 1998 um tribunal internacional a passou para a custódia iemenita. Em 2014, os rebeldes Houthis a conquistaram. Em 2015, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos entraram na guerra, em apoio ao governo do Iêmen no exílio, e retomaram a ilha.
Israel seria um país interessado em ter uma base perto dos Houthis. Eles disparam mísseis balísticos e drones contra cidades israelenses em solidariedade ao Hamas. Para cada retaliação, os caças voam cerca de dois mil quilômetros, reabastecidos no ar. Mas não só: a Arábia Saudita apoia os iemenitas contra os rebeldes. E conta com o apoio de outros países do Golfo, dos EUA e do Reino Unido.
Israel sondou a Somalilândia para construir uma base de ataque aos Houthis em seu território. Mas a negociação parece não ter prosperado. Os Emirados Árabes Unidos abriram algumas pistas de pouso na região do Mar Vermelho, uma delas em Mocha, mas não responderam à imprensa se estão por trás de Zukar. Os iemenitas anti-houthis teriam interesse em usar a base, mas não teriam condições de a construir. Há outras pistas no estreito de Bab el-Mandeb e no Oceano Índico, na entrada do Golfo de Áden.
A agência Associated Press (AP) analisou o mapa de navios que passaram por Zukar. Achou o Batsa, de bandeira do Togo, registrado em nome de uma empresa de Dubai, que atracou na ilha por uma semana, vindo de Berbera, na Somalilândia. Outra empresa dos Emirados, a Saif Shipping, admitiu ter recebido um pedido de fornecer asfalto para Zukar.
Não existe uma aliança anti-houthis formada por seus inimigos, como Israel, EUA, Arábia Saudita, Emirados e Reino Unido. Quando um deles estrear a pista de Zukar para atacar os rebeldes Houthis é que se saberá quem a mandou construir.
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