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Metrô abre estação Washington Luís; Linha 17-Ouro passa a ter trajeto em Y

Transporte segue funcionando de forma parcial, em fase de testes. A partir de quarta-feira (1º), o horário será ampliado e funcionará das 9h às 16h de segunda a sexta-feira

Da redação
DA REDAÇÃO

30/06/2026 • 11:37 • Atualizado em 30/06/2026 • 11:37

Estação Washington Luis, da Linha 17-Ouro, é inaugurada em SP

Estação Washington Luis, da Linha 17-Ouro, é inaugurada em SP

João Valério/Governo do Estado SP

O monotrilho da Linha 17-Ouro, que liga o Metrô ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, ganha nesta terça-feira (30), sua oitava estação. A unidade Washington Luís era a única que ainda não havia sido entregue.

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O transporte segue funcionando de forma parcial, em fase de testes. A partir de quarta-feira (1º), o horário será ampliado e funcionará das 9h às 16h de segunda a sexta-feira. Por enquanto, o monotrilho não abre aos fins de semana. O ramal foi entregue no fim de março e só deve iniciar a operação plena em outubro.

Com a nova estação, a linha passa a ser a primeira em São Paulo a ter um trajeto em Y. Haverá uma bifurcação após a parada Brooklin Paulista. O ponto final vai variar entre o Aeroporto de Congonhas e a Washington Luís.

Nesse primeiro momento, para chegar à Washington Luís, será necessário desembarcar na Brooklin e trocar de trem. Há um veículo exclusivo para o percurso Brooklin-Washington Luís.

Enquanto isso, os trens principais fazem a rota Morumbi-Aeroporto de Congonhas, passando por todas as estações, exceto a Washington Luís.

O passageiro que embarcar na linha pela Washington Luís terá de ir até a Brooklin Paulista, descer do vagão e embarcar no trem principal. Ele poderá optar pelo trajeto no sentido Morumbi ou aeroporto.

Esquema de embarque deve mudar com operação plena

Esse sistema deve funcionar apenas durante a fase de testes. Quando a linha estiver com a operação plena, o governo estadual planeja mudar o esquema de embarque.

A ideia é que não seja mais necessário trocar de trem na Brooklin Paulista. Parte dos veículos sairia da Estação Morumbi com destino ao Aeroporto e outra parte, para a Washington Luís.

"Por exemplo, a cada dois trens para o aeroporto, um vai para a Washington Luís. Vamos controlar isso de acordo com a demanda de passageiros", afirma o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.

Por causa disso, os passageiros precisarão prestar atenção às telas e aos avisos sonoros para chegar ao destino correto. O método é comum em metrôs na Europa, a exemplo de Paris. Mas o paulista ainda vai precisar se acostumar com a novidade.

O início da operação plena está previsto para outubro. Nessa fase, o monotrilho vai funcionar todos os dias das 4h40 à meia-noite. A administração da linha também passará do Metrô para a concessionária Motiva (atual nome da CCR).

Até lá, o transporte de passageiros será gratuito, já que o funcionamento ainda é parcial. Depois, serão cobrados R$ 5,40, como nas demais linhas do metrô.

Quando atingir o funcionamento pleno, em outubro, a expectativa é transportar 93 mil usuários por dia. Por enquanto, a linha recebeu cerca de 220 mil pessoas em quase três meses.

"A operação transitória avalia o desempenho dos sistemas, trens e estações em toda a linha, e sua evolução, para poder inserir mais trens em funcionamento simultâneo e a operação em carrossel, ampliando o horário e os dias de atendimento", afirmou o Metrô em nota.

Obra sai do papel após atrasos

A obra saiu do papel 13 anos após o prazo prometido para entrega. Previsto originalmente para chegar até o Estádio do Morumbi e a Estação Jabaquara, o monotrilho irá do aeroporto até a Estação Morumbi da CPTM.

Originalmente, o monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010, como uma das obras para a Copa do Mundo de 2014. A previsão era de construir 18 estações entre Congonhas e o Estádio do Morumbi para facilitar o trajeto de torcedores e turistas.

Depois, a organização da Copa trocou o Morumbi pelo estádio do Corinthians, em Itaquera, para receber as partidas de futebol. As obras perderam financiamento federal e, após 2014, as construtoras responsáveis pelas obras, Odebrecht e Andrade Gutierrez, ainda foram atingidas pela Operação Lava Jato.

O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. A obra parou por anos, e o impacto da Lava Jato no setor dificultou uma nova contratação.

A obra só foi retomada em 2020 e, ainda assim, passou por novas trocas de empresas e paralisações. "Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios", disse Rodrigues, do Metrô.

Já a equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, diz que o prazo foi estipulado após ouvir o mercado. E que a Lava Jato impactou as condições financeiras do setor. Alckmin (PSB) é hoje vice-presidente da República.

Em 2010, o projeto de 18 estações era orçado em R$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação), que seriam divididos entre os governos federal, estadual e municipal.

O custo total dessa primeira etapa da obra ficou em R$ 5,97 bilhões. Conforme o governo do estado, o valor atual inclui estruturas que atenderão à linha e despesas dos contratos paralisados.

O Metrô afirma que ainda há intenção de construir as outras dez paradas, completando o trecho até as estações São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, de um lado, e até o Jabaquara, da 1-Azul, do outro.

O governo prevê contratar ainda neste ano o projeto técnico para quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. A expectativa é de iniciar a construção em 2029, com estimativa preliminar de entrega em 2031.

*Com Estadão Conteúdo.