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Anvisa aprova Mounjaro para tratar apneia do sono em pessoas com obesidade

Popular nas redes e nos buscadores, o Mounjaro já é mais pesquisado que dieta e plano alimentar, segundo dados da Sala Digital.

Alessandra Petraglia
ALESSANDRA PETRAGLIA

23/10/2025 • 17:51 • Atualizado em 23/10/2025 • 17:51

Novos medicamentos para tratamento de apneia do sono

Novos medicamentos para tratamento de apneia do sono

Pexels

Resumo

A Anvisa aprovou o uso do Mounjaro (tirzepatida) para tratar a apneia obstrutiva do sono, condição em que a pessoa para de respirar várias vezes durante a noite. Até agora, o tratamento era feito principalmente com o CPAP, aparelho que ajuda a manter as vias respiratórias abertas enquanto dormimos.

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Apneia do sono e obesidade

A apneia está fortemente ligada à obesidade. É como se o excesso de peso apertasse as “mangueiras” por onde o ar passa, dificultando a respiração. O Mounjaro é visto como uma ferramenta auxiliar justamente nesse ponto: ajuda na perda de peso, o que reduz a pressão nas vias aéreas e melhora o sono.

Em entrevista ao programa BandNews Live, a pneumologista e especialista em sono Dra. Daniele Clímaco, membro da Academia Brasileira do Sono, afirma que a medicação traz uma “eficiência gigantesca em relação à redução de peso”.

No entanto, em relação ao tratamento da apneia do sono, ela faz um alerta: é essencial que o paciente mantenha acompanhamento médico, já que a obesidade é multifatorial e nem sempre o uso do medicamento vai resolver todos os problemas. “É preciso entender que não dá para deixar os tratamentos para apneia de lado porque existe um medicamento que vai resolver tudo. Não é verdade”, reforça a especialista, ao destacar que o Mounjaro é um complemento clínico, e não uma solução isolada.

O medicamento já era conhecido no Brasil por tratar o diabetes tipo 2 e auxiliar no controle crônico de peso. Agora, foi liberado também para casos moderados e graves de apneia em adultos com obesidade.

Estudos clínicos, como o SURMOUNT-OSA, mostraram que o uso do Mounjaro pode reduzir cerca de 25 interrupções respiratórias por hora de sono, além de levar à perda média de 18% a 20% do peso corporal.

Interesse por Mounjaro supera o por dieta

Dados da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google, mostram que o interesse por informações sobre o Mounjaro disparou no país. Em outubro, o Brasil liderou as buscas globais pelo remédio. Além disso, o medicamento já tem o dobro de buscas em comparação com “dieta” e “plano alimentar”.

Os especialistas alertam que não se trata de um medicamento estético, e sim de um tratamento clínico para doenças sérias.

O otorrinolaringologista e médico do sono Dr. George Pinheiro, da Academia Brasileira do Sono, também em entrevista ao BandNews Live, aponta que o país tem o conceito de “corpo do verão”, o que “já diz muito sobre o nosso apelo à estética”. Isso leva muitas pessoas a buscarem o medicamento para uma perda de peso acelerada. Entretanto, o médico reforça que o tratamento é antiobesidade, e não um mero “tratamento emagrecedor”, o objetivo principal deve ser a saúde.

O uso sem indicação médica pode causar efeitos colaterais, reganho de peso e até impactos na saúde mental, especialmente entre quem busca resultados “mágicos”.

Como reforça a Dra. Clímaco, “não basta emagrecer; é preciso mudar o estilo de vida, com sono de qualidade, alimentação equilibrada e atividade física”. O Mounjaro pode ser um aliado, mas a base da boa saúde continua sendo o cuidado diário com o corpo e a mente.

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