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MG: mulher passa 3h agarrada a poste e 'dá adeus' a cachorra em correnteza

Empreendedora de 56 anos sobrevive a enxurrada em Minas; namorado segue desaparecido e restaurante destruído recebe ajuda por vaquinha online

Da redação com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

27/02/2026 • 12:37 • Atualizado em 27/02/2026 • 12:45

Juiz de Fora (MG)

Juiz de Fora (MG)

REUTERS/Pilar Olivares

A empreendedora Edna de Almeida Silva, de 56 anos, sobreviveu após ficar cerca de três horas agarrada a um poste durante o temporal que atingiu Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, na madrugada de terça-feira (24), e que provocou mortes e destruição na cidade.

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Ela contou, em entrevista ao telejornal MG1, da TV Globo, que dormia em casa com o namorado, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, e o filho, Bruno, de 31, quando a chuva ganhou força e um vizinho ligou por volta da 1h avisando que a água já tinha invadido a garagem.

Edna disse que acordou o companheiro e os dois desceram para tentar retirar os carros, mas encontraram a água na altura das rodas dos veículos. Ao voltar para o interior do imóvel, ela relatou que a água já tinha tomado a casa, enquanto o filho tentava acionar a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

"Pedi a Deus para não me deixar morrer"

Segundo Edna, a enxurrada subiu em poucos minutos.

A água subiu muito rápido, deu um estouro e eu fui lançada. Fiquei submersa, mas não sei nadar, não sei sair da água, e a única coisa que me veio à mente foi pedir a Deus para não me deixar morrer afogada

Ela afirmou que começou a tatear em busca de algo para se apoiar e conseguiu encostar em uma estrutura arredondada.

Eu encostei em uma coisa redonda e pensei: 'É um poste'. Foi aí que entendi que não estava mais dentro de casa e me agarrei nesse poste

Para alcançar a superfície e manter a cabeça fora d'água, Edna contou que apoiou os pés em entulhos arrastados pela enxurrada.

Daquele ponto, ela viu o filho agarrado a uma grade e acompanhou, sem poder agir, a correnteza levar a cachorra da família e os pertences da casa.

Ali eu via passar móveis, carros, botijões... Eu via as coisas da minha casa passando

Resgate em meio à correnteza

Ela relatou que equipes do Corpo de Bombeiros tentaram se aproximar com um bote e uma moto aquática, mas a força da água impediu o acesso ao local onde ela permanecia agarrada ao poste.

Nesse período, um homem conseguiu chegar a uma janela próxima e lançou uma corda com um nó para que Edna se mantivesse segura e próxima da estrutura.

Após mais de três horas, quando o nível da água começou a baixar, vizinhos conseguiram retirá-la pela janela. Apesar da situação extrema, Edna sofreu apenas hematomas e escoriações pelo corpo.

O namorado dela, Luciano, foi levado pela enxurrada e continua desaparecido. Ele é um dos dois moradores de Ubá que ainda não foram encontrados após o temporal do início da semana, que deixou pelo menos seis mortos na cidade.

Restaurante destruído e vaquinha online

Dona de um restaurante em Ubá, Edna perdeu o negócio na enchente. O estabelecimento ficou destruído pela força da água e pelo volume de lama.

Para ajudá-la a reconstruir a empresa, amigos e familiares organizaram uma vaquinha online que, até a manhã desta sexta-feira (27), já tinha arrecadado mais de R$ 160 mil.

Chuvas deixam mais de 60 mortos na região

As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais já deixaram mais de 60 mortos em Ubá e Juiz de Fora, segundo balanços divulgados ao longo da semana.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém, nesta sexta-feira, alerta vermelho de grande perigo para acumulados de chuva na região, incluindo as duas cidades, com possibilidade de volume superior a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros por dia e alto risco de alagamentos, deslizamentos e transbordamento de rios.