
Juiz de Fora (MG)
REUTERS/Pilar Olivares
A empreendedora Edna de Almeida Silva, de 56 anos, sobreviveu após ficar cerca de três horas agarrada a um poste durante o temporal que atingiu Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, na madrugada de terça-feira (24), e que provocou mortes e destruição na cidade.
Ela contou, em entrevista ao telejornal MG1, da TV Globo, que dormia em casa com o namorado, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, e o filho, Bruno, de 31, quando a chuva ganhou força e um vizinho ligou por volta da 1h avisando que a água já tinha invadido a garagem.
Edna disse que acordou o companheiro e os dois desceram para tentar retirar os carros, mas encontraram a água na altura das rodas dos veículos. Ao voltar para o interior do imóvel, ela relatou que a água já tinha tomado a casa, enquanto o filho tentava acionar a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.
"Pedi a Deus para não me deixar morrer"
Segundo Edna, a enxurrada subiu em poucos minutos.
A água subiu muito rápido, deu um estouro e eu fui lançada. Fiquei submersa, mas não sei nadar, não sei sair da água, e a única coisa que me veio à mente foi pedir a Deus para não me deixar morrer afogada
Ela afirmou que começou a tatear em busca de algo para se apoiar e conseguiu encostar em uma estrutura arredondada.
Eu encostei em uma coisa redonda e pensei: 'É um poste'. Foi aí que entendi que não estava mais dentro de casa e me agarrei nesse poste
Para alcançar a superfície e manter a cabeça fora d'água, Edna contou que apoiou os pés em entulhos arrastados pela enxurrada.
Daquele ponto, ela viu o filho agarrado a uma grade e acompanhou, sem poder agir, a correnteza levar a cachorra da família e os pertences da casa.
Ali eu via passar móveis, carros, botijões... Eu via as coisas da minha casa passando
Resgate em meio à correnteza
Ela relatou que equipes do Corpo de Bombeiros tentaram se aproximar com um bote e uma moto aquática, mas a força da água impediu o acesso ao local onde ela permanecia agarrada ao poste.
Nesse período, um homem conseguiu chegar a uma janela próxima e lançou uma corda com um nó para que Edna se mantivesse segura e próxima da estrutura.
Após mais de três horas, quando o nível da água começou a baixar, vizinhos conseguiram retirá-la pela janela. Apesar da situação extrema, Edna sofreu apenas hematomas e escoriações pelo corpo.
O namorado dela, Luciano, foi levado pela enxurrada e continua desaparecido. Ele é um dos dois moradores de Ubá que ainda não foram encontrados após o temporal do início da semana, que deixou pelo menos seis mortos na cidade.
Restaurante destruído e vaquinha online
Dona de um restaurante em Ubá, Edna perdeu o negócio na enchente. O estabelecimento ficou destruído pela força da água e pelo volume de lama.
Para ajudá-la a reconstruir a empresa, amigos e familiares organizaram uma vaquinha online que, até a manhã desta sexta-feira (27), já tinha arrecadado mais de R$ 160 mil.
Chuvas deixam mais de 60 mortos na região
As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais já deixaram mais de 60 mortos em Ubá e Juiz de Fora, segundo balanços divulgados ao longo da semana.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém, nesta sexta-feira, alerta vermelho de grande perigo para acumulados de chuva na região, incluindo as duas cidades, com possibilidade de volume superior a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros por dia e alto risco de alagamentos, deslizamentos e transbordamento de rios.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

