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Planeta vive "quase fim do mundo" após cessar-fogo entre EUA e Irã

Estados Unidos e Israel chegaram a um acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã

Da redação
DA REDAÇÃO

08/04/2026 • 08:47 • Atualizado em 08/04/2026 • 08:47

Sonia Blota
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Irã

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Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Estados Unidos e Israel chegaram a um acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Nesta terça-feira, às 21h (no horário de Brasília), vencia o prazo fatal dado pelos Estados Unidos para o Irã abrir o Estreito de Ormuz; caso contrário, os americanos dizimariam as centrais elétricas, bem como as pontes do país.

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Com a forte frase “Uma civilização vai morrer hoje à noite”, Trump assustou o mundo e provocou críticas até de aliados. Durante a contagem regressiva, um grande número de bombardeiros e caças americanos se dirigia ao Irã. Há relatos na mídia americana de que o líder estava realmente disposto a tudo mas, faltando menos de duas horas para o fim do prazo, veio a notícia pela Casa Branca de que um cessar-fogo havia sido costurado.

O Irã afirmou que, desde que os bombardeios em seu território parem, o país abrirá o Estreito de Ormuz — porém sob a condição de este ser controlado pela Guarda Revolucionária Iraniana. Apesar de frágil, o acordo é um passo importante nessa guerra, já que os países terão duas semanas sem hostilidades recíprocas para negociar um acordo de paz.

Teerã condicionou a trégua a dez pontos estabelecidos pelo país persa. Já Trump diz que os pontos são aceitáveis para o início das negociações. Esta mediação está sendo feita pelo Paquistão, país que tem boa relação com todas as partes envolvidas.

Nesta sexta-feira, dia 10, o vice-presidente americano, JD Vance, liderando uma delegação, estará em Islamabad, capital paquistanesa, para se encontrar com a comitiva iraniana — que será dirigida pelo presidente do parlamento, Mohammad Ghalibaf, ou pelo chanceler do país. O fato de o próprio vice-presidente americano chefiar a delegação foi considerado uma vitória para o regime iraniano.

10 pontos de Teerã

  • Os itens apresentados por Teerã são polêmicos:
  • Manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz;
  • Reconhecimento do direito iraniano ao enriquecimento de urânio;
  • Pagamento de compensação por danos de guerra;
  • Encerramento de todas as sanções (incluindo primárias e secundárias);
  • Retirada das forças militares do Golfo;
  • Fim das ações militares em outras frentes, incluindo grupos aliados no Líbano.

Claro que os Estados Unidos não vão aceitar tudo. O enriquecimento de urânio, por exemplo, deve ficar no máximo em 20% — nível longe de armas nucleares. Washington também não deve retirar suas forças da região nem abandonar seus aliados do Golfo, área vital para a economia mundial.

Quanto à manutenção iraniana sobre o Estreito de Ormuz, só o tempo dirá o que vai acontecer; mas é um precedente perigoso que fere as leis de navegação internacional. Diferentemente dos canais de Suez e do Panamá — construídos por mãos humanas — Ormuz está lá no mesmo lugar desde que o Irã se chamava Pérsia.

Outros países vizinhos também dependem do canal para o escoamento de seus comércios. Imagina se o Iêmen resolve agora reivindicar o estreito de Bab-el-Mandeb, porta de entrada no Mar Vermelho? É uma questão complicada que precisa ser muito bem ajustada. O Irã quer, inclusive, 2 milhões de dólares por cada navio que passar por Ormuz, inicialmente a título de reparação de danos de guerra.

Reflexos e incertezas

Na guerra de informações, tanto Trump quanto o regime dos aiatolás se declaram vencedores. A Casa Branca afirma que o Estreito de Ormuz foi aberto, e Teerã comemora o fato de suas condições serem a base da negociação.

Porém, no Líbano, há um grande problema: Israel diz que aceita o cessar-fogo americano, mas que Beirute não está incluída nessas negociações. Nesta manhã, o sul do Líbano foi duramente bombardeado. O temor é que a região se torne uma nova Faixa de Gaza. Já são mais de 1.500 mortos e um milhão de pessoas que tiveram que deixar suas casas.

Bem... os primeiros navios petroleiros já estão passando por Ormuz. A economia mundial respira aliviada: o preço do barril de petróleo está em forte queda (em torno de 15%) e as bolsas mundiais avançam com força. Resta saber quanto tempo isso vai durar.

Agora, fica a pergunta: se hoje os Estados Unidos aceitam negociar pontos que antes da guerra sequer estavam na mesa, essa guerra foi mesmo necessária? Não era melhor ter conversado antes de tanto sangue derramado e prejuízos incalculáveis para o mundo?

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