
Simon Stiell
Reuters
O secretário-executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, deve abrir oficialmente a COP30 com um discurso de tom otimista, mas carregado de alertas. Ele deve afirmar que o mundo entrou “no futuro que há dez anos era apenas uma projeção” — um cenário em que a curva global de emissões de carbono finalmente começou a cair —, mas ressaltará que “ainda há muito trabalho pela frente”.
Na fala, que marcará a abertura oficial da conferência nesta segunda-feira (10), em Belém, Stiell deve reconhecer avanços desde o Acordo de Paris, firmado em 2015, mas alertar que a transição energética precisa ser acelerada. “Precisamos avançar muito, muito mais rápido tanto na redução das emissões quanto no fortalecimento da resiliência”, ele deve afirmar.
O chefe da ONU Clima deve insistir que o planeta ainda pode limitar o aquecimento global a 1,5°C. “A ciência é clara: podemos e devemos reduzir as temperaturas de volta para 1,5°C após qualquer ultrapassagem temporária”, ele dirá. E completará: “Lamentar não é uma estratégia. Precisamos de soluções.”
Em um dos trechos mais simbólicos, Stiell deve fazer referência ao local da cúpula: “Encontramo-nos aqui em Belém, na foz do Amazonas. E podemos aprender muito com este rio majestoso. A Amazônia não é uma entidade única, mas um vasto sistema fluvial sustentado por mais de mil afluentes.” Ele deve usar a metáfora para defender que o processo climático global também precisa ser alimentado “por diversas vertentes da cooperação internacional”.
O discurso deve enfatizar que compromissos nacionais isolados não são suficientes para enfrentar a crise climática. “Nenhuma nação pode arcar sozinha com isso”, dirá Stiell, mencionando os impactos econômicos das mudanças climáticas, como “megasecas que destroem colheitas” e “preços dos alimentos que disparam”.
Stiell deve também cobrar medidas concretas para cumprir os compromissos assumidos em edições anteriores da COP. “Já concordamos em disponibilizar pelo menos 300 bilhões em financiamento climático, com os países desenvolvidos na liderança. Agora precisamos colocar o Roteiro de Baku a Belém em prática”, afirmará.
Ao citar o avanço das energias limpas, o secretário deve destacar o papel do mercado global na transição verde. “As energias renováveis ultrapassaram o carvão este ano como principal fonte de energia do mundo”, ele deve lembrar, acrescentando que “os investimentos em energia limpa superam os fósseis em uma proporção de dois para um”.
A mensagem final deve ser de união entre os países presentes. Inspirado em Franklin Roosevelt, Stiell deve afirmar que o mérito pertence “aos que estão na arena”, e completar: “Nesta arena da COP30, o trabalho de vocês não é lutar uns contra os outros, mas combater juntos esta crise climática.”
Com o discurso, o chefe da ONU deve tentar transmitir confiança no multilateralismo climático e reforçar a necessidade de que Belém se torne um marco não apenas de compromissos, mas de implementação efetiva.


