
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Reprodução: Mark Schiefelbein/AP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompe suas atividades previstas para o final de semana em Belém, onde sedia a Cúpula de Líderes da COP30, para participar nos dias 9 e 10 da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que será realizada na Colômbia. O foco principal da missão diplomática do governo brasileiro na Celac será a demonstração de solidariedade à Venezuela, país que tem sofrido pressão e sanções por parte dos Estados Unidos.
A agenda do presidente na capital paraense envolve a Cúpula de Líderes da COP30, um evento de dez anos do Acordo de Paris, que reúne mais de 130 autoridades internacionais. O encontro é iniciado com o discurso de Lula e terá a participação de chefes da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Meteorológica Mundial.
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O chanceler Mauro Vieira afirmou que a participação brasileira na reunião da Celac na Colômbia reforça a posição do Brasil e da América Latina como uma região de paz e cooperação. O ministro das Relações Exteriores também garantiu que o encontro não representa um obstáculo para as negociações comerciais com os Estados Unidos sobre tarifas.
O apoio diplomático do Brasil a Caracas deve se concretizar durante o evento. Há a possibilidade de que ocorra uma declaração conjunta de países-membros em suporte à Venezuela, dependendo do andamento das negociações. O Brasil busca atuar como um mediador no conflito entre o governo venezuelano e Washington, embora essa iniciativa encontre resistência, com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, já tendo se manifestado publicamente contra essa mediação.
Contudo, a postura de apoio à Venezuela não é consenso entre os países da região. A Argentina, sob a gestão de Javier Milei, não apoia a causa, assim como Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Chile. A discordância reflete um sentimento mais amplo no continente: uma pesquisa recente do instituto Atlas Intel revelou que 74% dos latino-americanos entendem que a Venezuela estaria em melhores condições sem o atual ditador, Nicolás Maduro.
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O cenário coloca o presidente Lula, anfitrião da COP30 a partir do dia 10 e presidente pro tempore do Mercosul até dezembro, em uma posição delicada. O Brasil, que não reconheceu a eleição de Maduro, evitou liderar qualquer movimento para resolver a crise da ditadura vizinha, buscando um difícil equilíbrio em sua política externa.
A COP30 conta com a presença de líderes estrangeiros de destaque, como o príncipe William, o presidente da França Emmanuel Macron, o chanceler da Alemanha Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.
Um dos pontos altos do evento é o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, uma proposta brasileira que tem como objetivo remunerar os países que comprovadamente preservam suas áreas de vegetação nativa. A iniciativa conta com aportes iniciais do Brasil e da Indonésia, com um potencial de arrecadação que pode chegar a 125 bilhões de dólares.


