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'Não fomos comunicados de que seria neste momento', diz diretor da PF sobre megaoperação no RJ

Andrei Rodrigues explicou que a Polícia Federal não realiza ações ostensivas em comunidades e que o papel da instituição é concentrado em atividades de inteligência e investigação

ESTADÃO CONTEÚDO

29/10/2025 • 15:04 • Atualizado em 29/10/2025 • 15:09

Megaoperação no Rio de Janeiro

Megaoperação no Rio de Janeiro

REUTERS/Aline Massuca

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (29) que a corporação não foi comunicada previamente sobre a megaoperação das polícias do Rio de Janeiro que deixou ao menos 119 mortos na terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha.

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Segundo ele, a Superintendência Regional da PF no Rio chegou a ser procurada pela inteligência da Polícia Militar, mas apenas para uma conversa inicial sobre a possibilidade de colaboração. “Não fomos comunicados de que seria deflagrada neste momento. Houve um contato anterior, mas, a partir da análise do planejamento operacional, nossa equipe entendeu que não era uma operação adequada para a PF participar”, disse Rodrigues, após reunião de emergência convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada.

O diretor explicou que a Polícia Federal não realiza ações ostensivas em comunidades e que o papel da instituição é concentrado em atividades de inteligência e investigação. “A equipe do Rio entendeu que não era o modo como a PF atua. Seguimos com nosso trabalho de polícia judiciária e de inteligência”, completou.

Lewandowski: “Presidente deveria ter sido avisado”

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, confirmou que a PF teve conhecimento de “alguns detalhes” da operação em nível local, mas destacou que o governo federal não foi informado oficialmente sobre a deflagração da ação.

De acordo com o ministro, uma operação dessa magnitude exigiria comunicação direta entre o governador Cláudio Castro (PL) e o Palácio do Planalto. “Uma operação deste porte não pode ser acordada em segundo ou terceiro escalão. Se exigisse a participação do governo federal, o presidente da República deveria ter sido avisado — ou o vice-presidente, ou o ministro da Justiça, ou o diretor-geral da PF”, declarou.

Balanço de mortos

Até as 13h desta quarta-feira (29), o governo do Rio contabilizava 119 mortos, incluindo quatro policiais. Já a Defensoria Pública do Estado estima que o número de vítimas chegue a 132, o que faz da ação a mais letal da história do Rio de Janeiro.

*Com informações do Estadão Conteúdo.