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"Não pode virar instrumento de politização", diz Fabiano Contarato sobre CPI

Contarato foi claro ao afirmar que a investigação será ampla, mirando não apenas as operações de rua, mas também a estrutura que sustenta as organizações criminosas

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

04/11/2025 • 19:06 • Atualizado em 04/11/2025 • 19:06

Resumo

Instalação e Objetivos da CPI: A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado foi instalada no Senado, com o senador Fabiano Contarato eleito como presidente. A CPI visa investigar a atuação de facções criminosas em todo o país, com um foco técnico e apolítico, conforme prometido por Contarato.

Plano de Trabalho e Metodologia: A comissão irá investigar as operações e estruturas financeiras de organizações criminosas, incluindo facções como o PCC e o Comando Vermelho, além das milícias. O plano inclui ouvir depoimentos de governadores, ministros e secretários para mapear estratégias de combate ao crime.

Enfoque nas Causas Sociais do Crime: Além das investigações, Contarato enfatiza a necessidade de compreender as causas sociais da criminalidade, como a ausência do Estado em áreas vulneráveis. A CPI busca não só diagnosticar, mas também propor soluções para fortalecer a segurança pública através de políticas públicas abrangentes.

Instalada nesta terça-feira (04), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado já tem seu comando definido e um plano de trabalho traçado para investigar a atuação de facções criminosas no país.

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Em entrevista ao repórter Túlio Amâncio, da BandNews TV, o recém-eleito presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT), prometeu uma condução técnica e isenta, alertando para os riscos de partidarização dos trabalhos.

"A CPI não pode virar um instrumento de politização", declarou o senador, enfatizando que o objetivo principal é prestar um serviço de relevância para a sociedade brasileira.

A eleição de Contarato para a presidência, com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator, consolidou uma chapa vista como técnica. Contarato, que foi delegado de polícia por 27 anos e é professor de Direito Penal, destacou seu perfil e o de seu colega como um diferencial para a condução da CPI.

"Tanto eu como o senador Alessandro Vieira, a gente tem um perfil mais técnico", afirmou, explicando que essa abordagem é essencial para tratar de um tema tão complexo como a segurança pública.

Foco da Investigação: de facções a financiamento

Questionado sobre os alvos da comissão, Contarato foi claro ao afirmar que a investigação será ampla, mirando não apenas as operações de rua, mas também a estrutura que sustenta as organizações criminosas.

O plano de trabalho aprovado prevê a apuração do comportamento de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além das milícias que atuam em diversos estados.

O senador ressaltou a importância de seguir o rastro financeiro dos grupos. O combate à lavagem de dinheiro e a "rastreabilidade" dos recursos serão pilares da investigação. Para isso, a comissão já aprovou requerimentos para ouvir autoridades de alto escalão.

"Vamos ouvir governadores, ministros e secretários", anunciou Contarato, indicando a intenção de mapear as estratégias de combate ao crime nos estados mais afetados e no governo federal.

Um olhar sobre as causas do crime

Além da repressão, Fabiano Contarato defendeu que a CPI precisa aprofundar o debate sobre as raízes da criminalidade. Para ele, o crime é um "fenômeno social" diretamente ligado à ausência do Estado em comunidades vulneráveis.

"A ausência do Estado vitimou 4 policiais no RJ", exemplificou o senador, referindo-se a uma operação recente. Ele argumentou que a solução de longo prazo passa por investimentos em políticas públicas, como escolas em tempo integral, saúde, saneamento e iluminação pública.

Para o presidente da CPI, o trabalho do colegiado deve ir além do diagnóstico e apontar caminhos concretos para a mudança. "A função do Estado é restituir a pacificação social", concluiu, definindo o que considera ser a missão central da comissão nos próximos meses.

Com o início dos trabalhos, a expectativa é que a CPI do Crime Organizado traga luz sobre as complexas redes criminosas e, ao final, apresente um relatório com propostas legislativas e recomendações para fortalecer a segurança pública em todo o território nacional.

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