
Netanyahu
Reuters
Em um discurso contundente na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (26), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeita veementemente a criação de um Estado palestino, classificando a possibilidade como um "suicídio nacional" e "pura loucura" para seu país. A fala ocorre em um momento de crescente pressão e isolamento internacional sobre a condução da guerra na Faixa de Gaza.
Netanyahu afirma que Israel "não deixará que o mundo enfie um estado terrorista goela abaixo" e utilizou uma analogia forte para ilustrar sua posição. Para ele, a existência da Palestina ao lado de Israel seria como permitir "um estado da Al Qaeda ao lado de Nova York, depois do 11 de setembro".
A declaração busca reforçar a narrativa de que a soberania palestina representaria uma ameaça existencial à segurança israelense.
O premiê dedicou grande parte de seu pronunciamento para criticar as nações aliadas que, nas últimas semanas, reconheceram formalmente o Estado da Palestina. Ele acusa esses países de "ceder e ceder quando a situação fica difícil para Israel" e declara que a decisão se tornará uma "marca de vergonha para todos vocês". Segundo Netanyahu, o reconhecimento envia uma mensagem clara de que "matar judeus compensa", ligando o avanço diplomático palestino a uma recompensa por atos de terrorismo.
Durante sua fala, o líder israelense sustenta que o país trava uma "guerra em sete frentes com pouco apoio", citando ameaças do Hamas, Hezbollah, Houthis e do governo sírio. A plateia na Assembleia-Geral reagiu de forma dividida: enquanto delegações como a dos Estados Unidos aplaudiram o discurso, representantes de outros países, incluindo o Brasil, se retiraram do plenário em sinal de protesto. Do lado de fora da sede da ONU, centenas de manifestantes pró-Palestina também protestavam contra a presença de Netanyahu.
Acusação à imprensa e restrições em Gaza
Netanyahu também direciona críticas à cobertura da mídia sobre o conflito, acusando a imprensa de seguir uma "narrativa antissemita". A declaração, no entanto, ocorre em um contexto de severas restrições impostas pelo próprio governo de Israel ao trabalho jornalístico. A imprensa internacional independente está proibida de entrar e cobrir a guerra de dentro da Faixa de Gaza.
Organizações de direitos humanos e associações de jornalistas de todo o mundo denunciam o bloqueio informativo, que impede uma apuração isenta e completa das consequências do conflito no território palestino. Relatos indicam que dezenas de profissionais de mídia palestinos foram mortos desde o início da guerra, e escritórios de agências de notícias internacionais tiveram suas sedes destruídas em bombardeios. O alto comissariado da ONU já se manifestou pedindo a liberação do acesso à imprensa, afirmando que a proibição alimenta a desinformação e dificulta a responsabilização por crimes de guerra.
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