
Netanyahu se encontrou com Trump, mas negociações com o Irã continuam
Kevin Mohatt/Reuters
A reunião de quase três horas na Casa Branca, a portas fechadas, sem contato com a imprensa antes ou depois, ganhou um resumo na rede Truth Social do presidente Donald Trump: “Nenhuma decisão foi tomada, exceto que insisti que as negociações com o Irã continuem para ver se é possível chegar a um acordo. ”
Se um acordo for alcançado, acrescentou Trump, “deixei claro ao primeiro-ministro (Benjamin Netanyahu) que essa seria a preferência”. E, então, ameaçou: “Se não for possível, teremos que ver qual será o resultado. Da última vez, o Irã decidiu que era melhor não assinar um acordo e acabou levando um ‘golpe de meia-noite’—o que não foi nada bom para eles”.
Um jornal iraniano antecipou que nessa sétima visita à Casa Branca e à Mar-a-Lago Netanyahu destilaria “veneno” contra a recente negociação entabulada entre representantes do Irã e dos Estados Unidos em Mascate, capital do Sultanato de Omã, na última sexta-feira. Não há data ainda para uma nova reunião.
Foi uma visita emergencial. Netanyahu só reencontraria Trump no final do mês, ou em março. Mas o rumo das negociações o impeliu a antecipar-se, orbitando apenas em torno do programa nuclear iraniano, e não, como quer Israel, sobre os mísseis balísticos e a ajuda às milícias do Hezbollah, Houthis e Hamas.
Um veterano dos encontros na Casa Branca observou que, quando fechados, sinalizam problemas. Embora Trump tenha descrito a reunião como “muito boa”, ele e Netanyahu não estão de acordo em algumas questões fundamentais que assolam as relações Estados Unidos-Israel.
Por exemplo: “Discutimos o enorme progresso que está sendo alcançado em Gaza...” O cessar-fogo de outubro já enterrou mais de 530 palestinos, por causa de “violações”. O Hamas está resistindo a se desarmar, condição para a retirada israelense. A força multinacional que deveria estar constituída, marca passo. E na Cisjordânia, colonos atacam palestinos e beduínos, impunemente. A segunda fase do plano de paz de 20 pontos está parada.
Durante a rápida visita a Washington, Netanyahu assinou sua inclusão no Conselho Paz, criado e presidido por Trump, apesar de o contestar por causa da presença da Turquia, que ele não aceita. O presidente Lula foi convidado a participar, mas não respondeu, aliás como alguns outros mandatários.
Em Israel houve repercussão imediata: “Como Netanyahu entra no Conselho da Paz sem passar pelo Parlamento? --reclamou a oposição.
Antes de estar com Trump, Netanyahu se encontrou com o secretário de Estado Marco Rubio, na Blair House. Ali perto, o Pentágono ordenava que um segundo porta-aviões fosse preparado para zarpar para o Oriente Médio, onde já está o porta-aviões Lincoln e sua escolta de destroieres, com mísseis, caças de vários tipos e parte dos 40 mil soldados americanos distribuídos por bases americanas. As negociações continuam, como disse Trump, mas a tensão aumenta também.
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