
Netanyahu voa para encontrar Trump desviando de países que o podem prender
Kevin Mohatt/Reuters
Fantasiados de prisioneiros ou sheiks do Golfo Pérsico, com uniforme laranja e túnicas e kefiah brancas, centenas de israelenses foram ao aeroporto Ben Gurion, em Tel-Aviv, às três da madrugada de quinta-feira, para protestar contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que embarcou para os EUA, onde vai discursar na ONU, na sexta-feira, e se encontrar com o presidente Trump, na segunda-feira. Uns o querem presidiário por sua conduta em dois anos de guerra em Gaza; outros o acusam de corrupção com o Catar – o “Catargate”, que está sob investigação do serviço secreto interno de Israel, o Shin Bet.
O voo de Netanyahu, no Boeing Asas de Zion, deve seguir uma rota evitando países membros do Tribunal Penal de Haia, onde ele foi condenado à prisão. Se entrar no espaço aéreo de qualquer um deles, poderá ser obrigado a aterrissar -- e preso. Por isso, nenhum jornalista o acompanha. Nem ministros, exceto o de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, seu confidente. E o avião foi abastecido com gasolina extra.
O que espera Netanyahu na Assembleia Geral da ONU e na Casa Branca já foi antecipado em Israel. Fim da “Copa Mundial da Diplomacia”, na sexta-feira, 9 horas da manhã, restará uma pequena torcida para ouvi-lo. Muitos dos que já não foram embora, deverão se retirar em protesto, como tradicionalmente. E Trump lhe dirá, como prometeu a oito líderes árabes, “NÃO” -- não a anexação da Cisjordânia, prometida pelos seus ministros de extrema-direita em resposta ao reconhecimento da Palestina por mais de 150 países,
A Casa Branca está “confiante” de que uma trégua entre Israel e o Hamas poderá ser anunciada nos próximos dias. O acordo envolveria a libertação de metade dos reféns vivos nos cativeiros de Gaza, 10 dos 20, e alguns corpos de 38 mortos. A oferta foi feita em carta que a cúpula palestina em Doha entregou ao Catar e que o secretário de Estado Marco Rubio rejeitou novamente na quarta-feira, por ser parcial e não abrangente. Mas o emissário de Trump às guerras, Steve Witkoff, a trouxe de volta aos corredores da ONU desde terça-feira, e ainda é válida.
O governo israelense disse ter certeza de que Trump não obrigará Israel a aceitar o que não quiser. Para implementar uma trégua de 60 dias, algum dos lados terá que fazer alguma concessão importante. Se Israel, retirar-se de Gaza, com uma força multinacional em seu lugar. Se o Hamas, libertar os reféns, baixar as armas e entregar Gaza a uma administração civil sem sua influência ou a da Autoridade Palestina.
A contar do ano novo de 5.786, terça-feira, os judeus vivem dez dias “temíveis” ou “terríveis” que culminam com o Yom Kippur, o Dia do Perdão. Benjamin Netanyahu tem muito a perdoar e a pedir perdão, dois anos de guerra em Gaza, com cerca de 65 mil mortos palestinos, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, e dois mil israelenses, incluindo os 1.200 do massacre palestino de 7 de outubro de 2023.
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