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No Dia do Trabalho, mulher que buscou emprego no farol comemora: "Consegui o meu sonhado 'sim'"

Alessandra Zechin Nascimento, de 52 anos, conseguiu se recolocar no mercado de trabalho após passar 4 horas com um cartaz levantado na rua pedindo emprego

Gabrielle Pedro
GABRIELLE PEDRO

29/04/2025 • 14:48 • Atualizado em 29/04/2025 • 14:48

Alessandra Zechin Nascimento

Alessandra Zechin Nascimento

Arquivo Pessoal

O Dia do Trabalho deste ano tem um sabor especial para a turismóloga Alessandra Zechin Nascimento, de 52 anos. Poucos dias após levantar um cartaz em um semáforo no bairro da Vila Andrade, na zona sul de São Paulo, em busca de uma oportunidade de trabalho — e relatar ao Band.com.br os desafios enfrentados durante o período de desemprego —, ela conquistou a tão sonhada recolocação profissional.

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"Foi tudo uma grande surpresa pra mim. Eu já tinha ido no farol em 2023, consegui meu emprego na época dessa forma, mas não foi nada comparado à repercussão desta vez. Naquela semana que conversamos [na primeira quinzena de fevereiro], eu já tinha marcado algumas entrevistas, mas depois que a matéria foi ao ar, vieram inúmeras pessoas ao meu perfil. Não consigo nem dimensionar, mas foi nível Brasil. Jamais vou esquecer este momento", conta Alessandra.

Segundo ela, a maioria das mensagens recebidas foi de pessoas oferecendo vagas de emprego.

Entre tantas, uma chamou atenção: a que partiu de sua atual chefe, que propôs inicialmente um período de duas semanas de teste para que Alessandra pudesse ver se conseguiria se adaptar.

"Ninguém tinha sugerido isso para mim, mas eu achei muito bom. Ela sabia que a minha história tinha viralizado e que provavelmente eu estava recebendo outras propostas de trabalho, mas foi humana no sentido de entender tudo o que eu estava vivendo. Disse que, se eu preferisse não continuar, as portas continuariam abertas para mim. Na minha visão, muita gente não entenderia assim, até porque, de fato, recebi muitas propostas, mas esse olhar dela me fez ainda mais querer ficar", detalha.

A vida vai além do trabalho

Após o período de experiência, Alessandra assumiu definitivamente o cargo de atendimento ao cliente na Delichef, empresa especializada na preparação de comidas para eventos de pequeno a grande porte.

Formada em Turismo e com longa trajetória na hotelaria, ela não se intimidou ao aceitar uma função em um novo segmento.

"Cheguei a receber propostas do segmento hoteleiro, até porque minhas últimas experiências foram nesse setor e eu tinha o sonho de ser hoteleira para o resto da vida, mas admito que a pandemia praticamente acabou com esse sonho. Tive depressão, burnout, e as minhas experiências na época foram bem frustrantes... muitos colegas acabaram demitidos", lamenta.

"No decorrer desses cinco meses que passei desempregada e depois dessa avalanche de mensagens que recebi, percebi que queria um emprego que fosse mais saudável para mim. Na hotelaria, a escala geralmente é 6 por 1 e hoje vejo que queria algo que ofertasse uma qualidade de vida melhor. A vida vai além do trabalho", completa.

Processos seletivos mais humanos

Feliz com a nova oportunidade, Alessandra deixa um recado para gestores e recrutadores: “Sejam mais humanos.”

Durante os meses de busca por emprego, ela se candidatou a diversas vagas online, mas nenhuma avançou. "Chorei muito durante esse processo porque o desemprego mexe muito com você. Pensava que não era capaz, que não era boa, que ninguém me queria, mas percebi que o que faltava era o olho no olho", desabafa.

“Passei quatro horas no farol e olha o tanto que isso me rendeu. Não doeu nada, foi agradável e vivi situações hilárias naquelas horas ali. Criei muito mais conexões, tive diversas propostas e consegui o meu tão sonhado 'sim' que não precisou que eu respondesse um monte de testes que não seriam usados para nada. Eu não preciso responder várias perguntas em sites robotizados para mostrar que sou capaz, e acredito que tem muita gente que também não. O que está faltando são as pessoas de RH se mostrarem dispostas a nos conhecer", afirma.

Etarismo e transparência no mercado de trabalho

Alessandra também defende processos seletivos mais transparentes por parte das empresas.

"Algo que me entristeceu muito foi ver várias vagas exigindo inúmeros requisitos para uma remuneração tão baixa. Uma pessoa recém-formada e mais jovem até pode aceitar, mas, no meu caso, eu estaria pagando para trabalhar. Por isso, sou a favor de que coloquem de cara os reais benefícios e a remuneração na descrição da vaga. Isso já evitaria muitas inscrições, facilitando os dois lados", argumenta.

Ela ainda destaca a importância da inclusão de profissionais com mais de 40 anos. "Participei de alguns processos que chegaram a me perguntar se eu teria problema em trabalhar com jovens. Eu não acreditei quando ouvi, mas tive que responder", conta. "Eu não tenho nada contra jovens", ri. "Inclusive, acredito que quanto mais diversa uma equipe for, melhor", completa.

"Infelizmente, o etarismo ainda está muito presente nas empresas. É engraçado porque o governo te acha jovem para se aposentar, mas as instituições te acham velha para te contratar. Nós [pessoas acima dos 40] temos uma bagagem de experiências tremendamente maior do que alguém que está iniciando. É muito triste ver essa dificuldade das pessoas mais velhas em conseguir uma recolocação", acrescenta.

Por fim, ela aconselha quem está buscando emprego a voltar aos métodos presenciais. “Sei que estamos na era digital e que a grande maioria das oportunidades que eles anunciam são para fazer pela internet, mas, se encontrar uma vaga com o seu perfil, tenta ir até a empresa e mostrar que você está realmente interessado. Sei que nem todos têm coragem de fazer como eu fiz e ir para o farol, mas dê a cara para bater. O ‘não’ você já tem”, conclui.

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