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Novo acordo para Gaza agita o Hamas, Israel, EUA, Catar e o Egito

Por Redação
REDAÇÃO

22/04/2025 • 15:59 • Atualizado em 22/04/2025 • 15:59

Moises Rabinovici
Palestinos na Faixa de Gaza após ataque de Israel

Palestinos na Faixa de Gaza após ataque de Israel

REUTERS/Mahmoud Issa

Alguma surpresa está em gestação no Egito, Catar, Gaza, Israel e na Casa Branca: israelenses e palestinos do Hamas foram convocados ao Cairo; o primeiro-ministro catariano Al Thani se encontrou com o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado dos EUA ao Oriente Médio, Steven Witkoff, em Washington; e o presidente Donald Trump telefonou para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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Há uma proposta nova de cessar-fogo em Gaza: trégua de cinco a sete anos, libertação de todos os reféns em troca de prisioneiros palestinos, e fim da guerra. O Hamas aceita deixar suas armas em um depósito sob vigilância permanente e cede o controle de Gaza a uma administração de tecnocratas palestinos.

Ao desligar o telefone com Netanyahu, o presidente Trump fez uma curiosa declaração, a de que “estamos do mesmo lado em todas as situações”. O conteúdo da conversa, ele acrescentou, incluiu “numerosos assuntos”, inclusive o Irã, mas não Gaza.

Há duas semanas, Trump convidou Netanyahu para uma conversa na Casa Branca, aparentemente sobre o tarifaço que impôs ao mundo. Mas não: foi o anúncio das negociações para um acordo nuclear entre EUA e o Irã, com o primeiro-ministro israelense usado como aval sem ter sido previamente consultado – ele que ameaça destruir as instalações nucleares iranianas há muito tempo.

Ao desligar o telefone, Netanyahu teve uma reação diferente da de Trump: convocou uma reunião do seu gabinete de segurança, inclusive com a presença do diretor do Shin Bet, Ronen Bar, que ele quis demitir e que agora ameaça derrubá-lo com um testemunho juramentado devastador, enumerando ilegalidades constitucionais que lhe foram pedidas.

Os termos principais da nova proposta foram vazados para o jornal catariano Al-Araby Al-Jaded e para a BBC, de Londres. Em seguida, o Times, de Israel, os confirmou. O principal negociador do Hamas, Khalil Al-Hayya, viajou para o Cairo. Os mediadores estão em Washington, a exceção do egípcio.

Israel manteve sua rotina de bombardeios a Gaza. Hoje, destruiu a frota de 40 tratores com que o Hamas construía túneis e trincheiras, mas também retirava corpos sob escombros. Nos ataques a Beit Lahiya, Beit Hanoun e Khan Yunis, sete “civis” foram mortos, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que não distingue civis de combatentes. Dos mais de 50 mil mortos palestinos desde que a guerra começou, em outubro de 2023, cerca de 20 mil seriam combatentes, segundo Israel, e mais 1.600 os que participaram do massacre de 1.200 israelenses. Restam 59 reféns em Gaza, 24 dos quais estariam vivos, inclusive um tailandês e um tanzaniano.

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, da extrema-direita, voltou a ameaçar o cessar-fogo sequer acordado pelos negociadores palestinos e israelenses: se os combates, ao contrário, não se intensificarem, “o atual governo não tem justificativa para sua existência”. Ele quer “subjugar, derrotar, destruir o Hamas, conquistar a Faixa de Gaza e impor nela um governo militar, sinalizando, interna e externamente, que qualquer um que mexa conosco será demolido”.

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