
Aeroporto Internacional de Munique, na Alemanha
REUTERS/Leonhard Simon/File Photo
Um novo controle de passaporte tem causado atrasos de até três horas em aeroportos da União Europeia (UE). Ao menos 15 países relataram transtornos em razão do novo sistema eletrônico de fronteiras do bloco. França, Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha e Grécia são algumas das nações com atrasos.
O problema foi confirmado pelo Conselho Internacional de Aeroportos (ACI, sigla em inglês) ao jornal Financial Times. A publicação aponta que o setor já estava sob pressão em razão de uma possível escassez de combustível, por causa dos efeitos da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
"Essa situação, nas próximas semanas e certamente durante os meses de pico do verão, será simplesmente inadministrável", disse Olivier Jankovec, diretor da divisão europeia do ACI. Em seguida, acrescentou: "Já estamos vendo esses tempos de fila agora, nos horários de pico, quando o tráfego está apenas começando a aumentar".
O Sistema de Entrada/Saída (EES) da UE estabelece que passageiros fora do bloco, incluindo do Reino Unido, precisam registrar suas informações pessoais e dados biométricos na primeira entrada ao território europeu.
O sistema, implantado de forma definitiva na última sexta-feira (10), havia sido introduzido gradualmente em outubro do ano passado. Seu principal objetivo é reforçar a segurança das fronteiras ao reunir dados de quem entra e sai da União Europeia.
Suspensão do sistema
Na terça-feira (14), representantes de aeroportos junto à Comissão Europeia realizaram uma reunião para discutir os problemas do sistema. Segundo o jornal, o ACI solicitou a ampliação de isenções existentes e a possibilidade de suspender completamente as verificações.
"Precisamos da capacidade de suspender totalmente o registro no EES sempre que houver tempos de espera excessivos no controle de fronteira que sejam simplesmente inadministráveis", disse Jankovec.
As verificações já tinham sido adiadas repetidamente devido a problemas com o sistema de TI, segurança cibernética e atrasos gerais nos Estados-membros. Além disso, existem diversos aeroportos que não estão colhendo os dados biométricos, mas somente as informações pessoais, segundo a Comissão e o ACI.
De qualquer forma, Jankovec afirmou ao jornal que existem problemas estruturais críticos. Entre eles, o frequente não funcionamento das cabines automáticas para o registro de passageiros, a "escassez crônica de pessoal" entre os agentes de controle de fronteira, além das falhas no sistema central de TI.
"Precisamos que o sistema central de TI que sustenta o EES funcione plenamente, de forma adequada... houve melhorias, mas ainda temos problemas aqui e ali", disse ao veículo de imprensa.
Sem combustível?
Ainda conforme o Financial Times, os problemas de verificação de fronteira são agravados na Europa com a possibilidade de o combustível de aviação se esgotar após o fechamento estratégico do Estreito de Ormuz, principal rota marítima do petróleo. "Problemas de abastecimento podem ocorrer no futuro próximo", afirmou a Comissão Europeia na terça-feira (14).
Por outro lado, o órgão contestou os alertas do ACI sobre o EES. "O que podemos observar nos primeiros dias de operação completa é que o sistema está funcionando muito bem. Na grande maioria dos Estados-membros, não há problemas", disse um porta-voz em nota solicitada pelo jornal.
O ACI afirma que o registro de um passageiro em horários de pico pode levar até cinco minutos, já a Comissão diz que a média é de 70 segundos, segundo o jornal.
"Há alguns Estados-membros, onde problemas técnicos foram detectados --como é esperado nos primeiros dias de operação completa de qualquer grande sistema novo. Eles estão sendo resolvidos... cabe aos Estados-membros garantir a implementação adequada do EES no terreno", disse a comissão.
Desde a introdução gradual do sistema no fim do ano passado, mais de 52 milhões de pessoas foram registradas e 27 mil tiveram a entrada negada, incluindo 700 pessoas consideradas uma possível ameaça à segurança, afirmou a comissão.
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