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Número de mortos no Irã passa de 500 e ONGs denunciam 'massacre'

Entidades de direitos humanos alertam que a repressão escalou e o número real de vítimas pode chegar a milhares devido ao corte de internet

Da redação
DA REDAÇÃO

11/01/2026 • 13:32 • Atualizado em 11/01/2026 • 13:32

Ali Khamenei, aiatolá iraniano

Ali Khamenei, aiatolá iraniano

Reuters

Resumo

O número de mortos nos protestos no Irã chegou a 203, segundo o grupo HRANA, com ONGs internacionais denunciando um massacre em curso e o regime do Aiatolá Ali Khamenei intensificando o confronto contra manifestantes.

As manifestações se espalharam por mais de 100 cidades sob um rígido apagão da internet imposto pelo governo, dificultando a verificação dos fatos, enquanto organizações de direitos humanos relatam cenários de guerra urbana, hospitais superlotados e estimativas que apontam até 2 mil mortos.

A crise no Irã gerou tensão diplomática, com o presidente Masoud Pezeshkian acusando EUA e Israel de incitarem o caos, Donald Trump renovando ameaças a Teerã, e o parlamento iraniano advertindo que bases e navios americanos, além de Israel, seriam alvos em caso de ataque ao país.

O número de mortos nos protestos que tomam as ruas do Irã ultrapassou 500, segundo a mais recente atualização divulgada neste domingo (11) pela agência Reuters, com base em dados do grupo de direitos humanos HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediado nos Estados Unidos. De acordo com o levantamento, foram confirmadas as mortes de 490 manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança, além de mais de 10,6 mil pessoas presas desde o início das manifestações, há cerca de duas semanas.

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O novo balanço surge em um momento de forte escalada da repressão, em meio às maiores manifestações enfrentadas pelo regime desde 2022. As autoridades iranianas não divulgaram números oficiais, e a Reuters afirma não ter conseguido verificar de forma independente os dados apresentados pela HRANA.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, motivados inicialmente pelo aumento do custo de vida, mas rapidamente passaram a ter caráter político, com críticas diretas ao regime clerical liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. As manifestações se espalharam por mais de 100 cidades, sob um rigoroso apagão da internet, imposto pelo governo, que dificulta a checagem independente das informações.

Imagens verificadas pela Reuters mostram cenas de violência intensa. Em Teerã, multidões marcharam à noite, entoando palavras de ordem, enquanto em Mashhad, no nordeste do país, vídeos exibem fumaça, explosões, barricadas e ruas tomadas por destroços. A televisão estatal iraniana exibiu imagens de dezenas de sacos com corpos no instituto médico-legal da capital, alegando que as mortes foram causadas por “terroristas armados”.

Organizações internacionais de direitos humanos voltaram a alertar para o que classificam como um “massacre em curso”, citando hospitais superlotados e dificuldades no atendimento aos feridos. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, estima que o número real de mortos possa ser ainda maior.

Tensão internacional e ameaças cruzadas

A crise interna no Irã ganhou rapidamente contornos geopolíticos. O governo iraniano acusa Estados Unidos e Israel de fomentarem os protestos. Segundo a Reuters, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a ameaçar intervir em apoio aos manifestantes, afirmando que os iranianos “buscam liberdade”.

De acordo com o Wall Street Journal, Trump deve ser informado nesta semana sobre possíveis opções contra Teerã, que incluem ataques militares, uso de armas cibernéticas secretas, ampliação de sanções e apoio online a fontes opositoras ao regime.

Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, fez um alerta direto a Washington. “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [em referência a Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, afirmou. Qalibaf é ex-comandante da Guarda Revolucionária Iraniana.

Fontes israelenses ouvidas pela Reuters afirmam que Israel está em estado de alerta máximo diante da possibilidade de uma intervenção americana. Um oficial militar israelense declarou que, embora os protestos sejam uma questão interna iraniana, o país está pronto para responder “com força, se necessário”.

Irã e Israel chegaram a se envolver em um conflito direto de 12 dias em junho do ano passado, quando os Estados Unidos também participaram com ataques a instalações nucleares iranianas. Teerã respondeu com mísseis contra Israel e uma base americana no Catar.

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