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‘O governo se omitiu’, diz ex-comandante do Bope sobre facções criminosas

Paulo Storani fala que Brasil levou “um grande puxão de orelha diplomático” após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas

Da redação
DA REDAÇÃO

31/05/2026 • 13:42 • Atualizado em 31/05/2026 • 13:42

O ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Storani, afirmou que o governo brasileiro se omitiu e "levou grande puxão de orelha diplomático”, com a decisão dos EUA em classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas na quinta-feira (28).

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O governo se omitiu, insistiu nesse discurso muito contencioso, permissivo, muito benevolente com a criminalidade, como vem demonstrando todo esse período dos 46 anos que nós citamos aqui. Então, nos Estados Unidos houve o seguinte: agora vamos tomar uma atitude.

Em entrevista à BandNews TV, neste domingo (31), o especialista ressaltou que o Brasil tratou as ações dessas organizações ao longo dos anos, como uma criminalidade banal, e por conta disso, recebeu esse ultimato dos Estados Unidos.

Eu vejo isso como um grande puxão de orelha diplomático quando os Estados Unidos tinham tinha chamado o governo Lula inicialmente para que ele tomasse essa decisão, para que a iniciativa fosse feita aqui dentro do país, que o problema fosse tratado de dentro para fora e não de fora para dentro, como está acontecendo.

O presidente Lula afirmou na sexta-feira (29) que não vai aceitar que o Brasil seja tratado como "republiqueta", ao comentar a decisão dos Estados Unidos de designar o CV e o PCC como entidades terroristas. Na visão de Storani, o Brasil já é uma “republiqueta” pela incapacidade do Estado brasileiro de entender o fênomeno do crime organizado.

Storani explica que essas facções se encontram em uma espiral de crescimento desde o nascimento, no início da década de 1980, com o surgimento do CV e, em 2000, com a primeira aparição do PCC.

Em relação ao tráfico de drogas no Brasil, Storani disse que essa imposição dos EUA não interfere no trabalho que deve ser realizado no território brasileiro para conter o avanço do crime.