
Trump e Putin
Kevin Lamarque/Reuters
O “inverno será extremamente rigoroso”, prevê para a Ucrânia o seu presidente Volodymyr Zelensky, se rejeitado o plano de 28 pontos apresentado pelo presidente Donald Trump, considerado “uma lista de desejos” do presidente russo Vladimir Putin.
A escolha de Zelensky está entre “perder a dignidade e o risco de perder um parceiro-chave”, os Estados Unidos. Por isso, ele diz: “este é um dos momentos mais difíceis de nossa história”.
O plano de 28 pontos foi elaborado pela dupla de negociadores da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, o genro do presidente Trump, durante uma viagem de volta do Oriente Médio para Miami.
O plano prevê o fim da guerra até o final do mês, com uma data limite inicial nesta quinta-feira, Dia de Ação de Graças, nos EUA, para que a Ucrânia o aceite. O presidente Zelensky ouviu os 28 pontos do plano enquanto eles eram ditados para o presidente Trump por Witkoff e Kushner, numa extensão telefônica, e desde então os apresentou aos aliados europeus e os rebateu com uma contraproposta durante uma reunião com o secretário de Estado Marco Rubio, em Genebra.
Os principais entre os 28 pontos:
1. Concessões Territoriais: A Ucrânia será obrigada a ceder território que as forças russas ainda não conquistaram. As regiões da Crimeia, Donetsk e Luhansk passariam, de fato, para o controle russo, embora legalmente permaneçam ucranianas. A linha de frente em Kherson e Zaporíjia ficaria "congelada".
2. Limitações Militares: A Ucrânia deverá limitar o tamanho de seu exército a 600 mil soldados, além de renunciar ao seu objetivo de ingressar na OTAN – caso em que manterá seu status de aliado não alinhado em sua Constituição.
3. Reintegração da Rússia: O plano suspenderá, gradualmente, as sanções impostas contra a Rússia, pela agressão não provocada à Ucrânia, e a reintegra no G8.
4. Outras Condições: Exigência de que a Ucrânia realize eleições 100 dias depois da assinatura do acordo. O plano também inclui disposições para segurança da língua russa e da Igreja Ortodoxa Russa, e o monitoramento da sua implementação por um "conselho de paz" liderado por Donald Trump.
O presidente Trump, que já oscilou entre Rússia e Ucrânia, acusou os líderes ucranianos de “ingratidão” por não acolherem o plano, para eles uma rendição, com aplausos e agradecimentos. Então, Zelensky o agradeceu por seus esforços pela paz.
O Secretário de Estado Marco Rubio, que liderou a delegação americana a Genebra, neste fim de semana, descreveu as discussões como "produtivas" e "muito, muito significativas". Ele afirmou que as equipes estavam trabalhando no plano ponto a ponto, "estreitando as diferenças". Mesmo assim, no Capitólio, em Washington, um grupo de senadores denunciou que o plano não passava de “uma lista de desejos dos russos”.
Para o presidente russo Vladimir Putin, o plano de 28 pontos "poderia formar a base de um acordo de paz final". No entanto, ele ameaçou que, se o processo diplomático falhar, a Rússia continuará avançando com seu exército, esperando a queda inevitável de outras cidades ucranianas.
Os aliados europeus, incluindo Alemanha, França e Grã-Bretanha, têm reservas importantes contra os elementos mais duros do plano. Em uma declaração conjunta, eles insistiram que a Ucrânia, como nação soberana, não deve ter limitações em suas forças armadas que a deixem vulnerável a ataques futuros. O plano foi considerado uma base para discussão que exige "trabalho adicional".
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