
Bandeiras da Rússia e dos EUA
REUTERS/Maxim Shemetov
O fim do tratado que limita o arsenal nuclear de Rússia e Estados Unidos vem gerando apreensão diante de uma nova corrida nuclear entre as duas maiores potências atômicas do planeta.
Expira, nesta quinta-feira (5), o prazo para a renovação do Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START, na sigla em inglês), que prevê limites às ogivas nucleares de longo alcance desenvolvidas pelos dois países.
Seu colapso pode abrir caminho para o que muitos temem ser uma corrida armamentista nuclear desenfreada.
O que é o New START?
O Novo Start, assinado em 2010 pelos presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, restringiu a cada lado o máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 mísseis e bombardeiros - implantados e prontos para uso. Originalmente, deveria expirar em 2021, mas foi prorrogado por mais cinco anos.
O pacto previa inspeções abrangentes no local para verificar o cumprimento das normas, embora elas tenham sido interrompidas em 2020 em virtude da pandemia de covid-19 e nunca tenham sido retomadas.
Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscou, afirmando que a Rússia não poderia permitir inspeções americanas em suas instalações nucleares em um momento em que Washington e seus aliados da Otan declararam abertamente a derrota de Moscou na Ucrânia como seu objetivo.
Ao mesmo tempo, o Kremlin enfatizou que não estava se retirando completamente do pacto, prometendo respeitar os limites para armas nucleares.
Já em setembro do ano passado, Putin ofereceu estender o tratado por um ano, a fim de ganhar tempo para que ambos os lados negociassem um novo acordo. O líder russo disse que o vencimento do pacto seria desestabilizador e poderia alimentar a proliferação nuclear.
Rose Gottemoeller, principal negociadora americana para o pacto e ex-vice-secretária-geral da Otan, disse que estendê-lo teria servido aos interesses dos EUA.
"Uma prorrogação de um ano dos limites do Novo Start não prejudicaria nenhuma das medidas vitais que os Estados Unidos estão tomando para responder ao aumento do programa nuclear chinês", disse ela em uma discussão online no mês passado.
Acordos nucleares anteriores ao New START
O New START sucedeu uma sucessão de pactos de redução de armas nucleares entre os EUA e a Rússia, começando com o Salt I em 1972, assinado pelo presidente dos norte-americano Richard Nixon, e pelo líder soviético Leonid Brezhnev - a primeira tentativa de limitar seus arsenais.
O Tratado de Mísseis Antibalísticos de 1972 restringiu os sistemas de defesa antimíssil dos países até que o presidente George W. Bush retirou os EUA do pacto em 2001, apesar dos alertas de Moscou.
O Kremlin descreveu os esforços de Washington para construir um escudo antimíssil como uma grande ameaça, argumentando que isso corroeria a dissuasão nuclear da Rússia, dando aos EUA a capacidade de abater seus mísseis balísticos intercontinentais.
Em resposta, Putin ordenou o desenvolvimento do míssil de cruzeiro Burevestnik, com ogiva e propulsão nuclear, e do submarino Poseidon, também com ogiva e propulsão nuclear. A Rússia afirmou no ano passado que testou com sucesso o Poseidon e o Burevestnik e está preparando seu destacamento.
Também foi encerrado em 2019 o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado em 1987, que proibia mísseis terrestres com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros. Esses mísseis eram considerados particularmente desestabilizadores devido ao seu curto tempo de voo até os alvos, deixando apenas alguns minutos para decidir sobre um ataque retaliatório e aumentando a ameaça de uma guerra nuclear com base em um falso alerta.
Em novembro de 2024 e novamente no mês passado, a Rússia atacou a Ucrânia com uma versão convencional de seu novo míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik. Moscou afirma que ele tem um alcance de até 5.000 quilômetros (3.100 milhas), capaz de atingir qualquer alvo europeu, com ogivas nucleares ou convencionais.
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