Band Jornalismo

México tem onda de violência com quase 60 mortos após ação contra El Mencho

Reação pela morte de megatraficante do cartel de Jalisco teve mortes, bloqueios de estradas, fechamento de escolas e cancelamento de voos em vários pontos do país

Estadão Conteúdo e Deutsche Welle, com redação
ESTADÃO CONTEÚDO E DEUTSCHE WELLE, COM REDAÇÃO

23/02/2026 • 12:31 • Atualizado em 23/02/2026 • 12:39

Resumo

A morte do narcotraficante Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nova Geração, desencadeou uma onda de violência no México, com bloqueios de estradas, fechamento de escolas e cancelamento de voos em diversas cidades.

Confronto entre forças mexicanas e o cartel resultou na morte de pelo menos 25 membros da Guarda Nacional, um guarda prisional, um membro do escritório do promotor, 30 criminosos e ferimento de três militares, além de prisões e apreensão de armas pesadas; mais de 250 vias foram bloqueadas, com comércios incendiados e suspensão de aulas e partidas esportivas.

El Mencho, de 59 anos, era o narcotraficante mais procurado pelo México e EUA, com recompensa de US$ 15 milhões, responsável por expandir o CJNG e inovar na violência com uso de drones e explosivos, sendo o último chefe do narcotráfico no estilo ostentatório brutal, com histórico de ataques a forças de segurança e conexões com o crime organizado há três décadas.

A morte do narcotraficante Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, no domingo, 22, provocou uma onda de violência e caos em diversas cidades do México, com bloqueios de estradas, fechamento de escolas e cancelamento de voos.

Compartilhar

Segundo informado por Omar Garcia Harfuch, secretário de segurança do México, nesta segunda-feira, 23, ao menos 25 membros da Guarda Nacional foram mortos pelo Cartel de Jalisco Nova Geração durante a ação. Harfuch acrescentou que um guarda prisional, um membro do escritório do promotor do estado e ao menos 30 membros da organização criminosa também morreram.

Apontado como fundador e líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), El Mencho era um dos narcotraficantes mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos. A Administração de Controle de Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) incluiu o mexicano em sua lista de mais procurados em 2020 e oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua prisão.

Em janeiro, o jornal The New York Times revelou que o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionava o México para que forças americanas entrassem no território mexicano para realizar operações conjuntas contra cartéis.

O CJNG é um dos maiores grupos criminosos do México, ligado ao tráfico internacional de drogas - especialmente fentanil, metanfetamina e cocaína para os EUA. No domingo, 22, o Exército do México realizou uma ação contra o cartel na cidade de Tapalpa, a cerca 130 quilômetros de Guadalajara, capital do Estado de Jalisco.

Além de El Mencho, pelo menos outros seis criminosos morreram, e três militares ficaram feridos durante a troca de tiros, segundo a corporação. Dois integrantes do CJNG foram presos, e diversas armas foram apreendidas - incluindo um lançador capaz de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados. Com a operação, o governo mexicano espera aliviar a pressão vinda dos EUA.

Impacto na rotina dos cidadãos

Mais de 250 vias foram bloqueadas com veículos incendiados por homens armados em Jalisco e em outros 19 Estados. De acordo com o Gabinete de Segurança do México, cerca de 90% dos bloqueios foram liberados até a noite de domingo.

Comércios também foram incendiados em Jalisco. Segundo o governo do Estado, 81 lojas de conveniência da rede Oxxo foram saqueadas ou danificadas em pelo menos cinco cidades. A gestão estadual recomendou que os cidadãos evitassem sair de casa e suspendeu o transporte público durante todo o domingo. O serviço foi retomado de forma gradual nesta segunda-feira, 23.

As aulas foram suspensas nesta segunda-feira em instituições de ensino fundamental, médio e superior, públicas e privadas, em Jalisco. Pelo menos outros sete Estados também suspenderam as aulas em meio à onda de violência.

O Grupo Aeroportuário do Pacífico (GAP) informou que todas as operações internacionais e a maioria das operações domésticas no Aeroporto Internacional de Puerto Vallarta foram canceladas no domingo por decisão das companhias aéreas. Segundo a operadora, o Aeroporto Internacional de Guadalajara não registrou cancelamentos ou interrupções em suas operações.

O GAP ainda não emitiu atualizações sobre a situações dos aeroportos nesta segunda-feira, mas o site de monitoramento de voos Flight Radar mostrou que dezenas de viagens foram canceladas.

A violência também impactou o Campeonato Mexicano, que precisou adiar quatro partidas marcadas para domingo. Uma delas ocorreria no estádio La Corregidora, na cidade de Querétaro, onde a seleção do México tem um amistoso contra a Islândia na quarta-feira, 25. O jogo faz parte da preparação para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada no México, EUA e Canadá - com quatro partidas previstas para ocorrer em Guadalajara. (Com agências internacionais).

Quem era El Mencho

Oseguera Cervantes, mais conhecido como El Mencho, tinha 59 anos e era o líder de um grupo criminoso em rápido crescimento, o Cartel Jalisco Nueva Generación. Ele era o narcotraficante mais procurado pelos Estados Unidos, que ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares por sua captura.

Oseguera Cervantes era visto como o último dos chefões do narcotráfico que agiam no estilo ostentatório brutal de Joaquin "El Chapo" Guzman e Ismael "El Mayo" Zambada, ambos presos.

Oseguera Cervantes nasceu em Aguililla, uma cidade no estado mexicano de Michoacán, no oeste do país e a porta de entrada para uma região montanhosa e inóspita onde plantações ilegais de maconha prosperavam em sua infância.

Seus laços com o crime organizado remontavam a pelo menos três décadas. Quando jovem, emigrou para os Estados Unidos. Em 1994, ele foi julgado por tráfico de heroína nos EUA e condenado a três anos de prisão.

Ao retornar ao México, juntou-se ao Cártel del Milenio. Mais tarde, conflitos internos o forçaram a sair de Michoacán, quando uma facção se aliou a Los Zetas, um grupo fundado por ex-soldados de elite que impunham o terror em toda a região.

Oseguera refugiou-se no estado vizinho de Jalisco. Em 2009, com o cartel de Sinaloa, ele formou os Matazetas, que ganharam notoriedade dois anos depois com o assassinato de dezenas de pessoas ligadas ao grupo.

Por volta de 2009, Oseguera fundou o Cartel Jalisco Nueva Generación, que, com a extradição de Guzmán e Zambada para os Estados Unidos, tornou-se a organização criminosa de crescimento mais rápido do México, levando cocaína, metanfetamina, fentanil e migrantes para os Estados Unidos e inovando na violência com o uso de drones e dispositivos explosivos improvisados.

O cartel ganhou reputação por ataques ousados contra as forças de segurança mexicanas, incluindo a derrubada de um helicóptero militar em Jalisco em 2015 e uma tentativa espetacular, porém malsucedida, de assassinato do chefe de polícia da Cidade do México, Omar García Harfuch, que hoje é o secretário de segurança federal do México.