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O que se sabe até o momento sobre o incêndio que deixou ao menos 94 mortos em Hong Kong?

Fumaça preta e chamas intensas atingiram sete dos oito blocos de um condomínio na região de Tai Po, no norte da cidade; ao menos um bombeiro está entre as vítimas

Da redação
DA REDAÇÃO

26/11/2025 • 11:07 • Atualizado em 26/11/2025 • 11:07

Resumo

Incêndio de grandes proporções atingiu o complexo residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte de Hong Kong, deixando pelo menos 83 mortos e cerca de 300 desaparecidos, além de dificultar o resgate por conta das chamas intensas e fumaça em torres de 31 andares.

Corpo de Bombeiros mobilizou cerca de 800 agentes para combater o fogo, que começou há mais de 30 horas e ainda não foi extinto; três suspeitos, dois diretores e um consultor da empresa responsável pela reforma, foram presos por negligência, enquanto moradores sobreviventes acampam em um shopping próximo.

Propagação das chamas foi agravada por andaimes de bambu e placas de poliestireno presentes nas obras, levando ao bloqueio de vias importantes como a estrada Tai Po e tornando este o pior incêndio em Hong Kong nos últimos 80 anos, em meio a debates sobre segurança nas construções locais.

Pelo menos 94 pessoas morreram e quase 300 moradores têm paradeiro desconhecido por um incêndio de grandes proporções que atingiu múltiplos edifícios de um complexo residencial no distrito de Tai Po, no norte de Hong Kong, na última quarta-feira (26).

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O fogo foi controlado após mais de um dia, e equipes de resgate vasculham os apartamentos, o que deve elevar o número de mortes. Ao menos 76 pessoas ficaram feridas

Em meio à tragédia, uma notícia de alento: um sobrevivente foi encontrado no 16º andar.

Três suspeitos foram presos por homicídio não intencional e negligência. São dois diretores e um consultor de uma empresa responsável pela reforma no condomínio. Há suspeita de corrupção envolvendo o contrato da obra de reforma.

Cerca de 800 homens do corpo de bombeiros foram mobilizados no combate às chamas.

Alguns dos moradores do condomínio que se salvaram estão acampados em um shopping próximo ao local, enquanto outros estão em abrigos, totalizando quase 500 pessoas.

O complexo atingido

O conjunto consumido pelo fogo é um complexo de oito torres chamado Wang Fuk Court, que foi inaugurado em 1983 e possui 1.984 apartamentos, com 4.643 moradores, segundo dados do governo local. Em seu entorno, estão escolas, parques, um shopping center e igrejas.

O incêndio no complexo já é o pior na cidade em quase 80 anos.

O Corpo de Bombeiros recebeu os primeiros relatos do incêndio no complexo de oito torres Wang Fuk Court às 14h51 (hora local). Devido aos ventos fortes, o fogo se alastrou rapidamente. Por volta das 18h22, o alarme foi elevado ao nível 5, o mais alto da cidade.

Andaimes de bambu e obras dificultaram resgate

A propagação das chamas foi intensificada pela presença de andaimes de bambu na fachada de algumas torres, que estavam em reforma havia desde julho de 2024. Hong Kong é um dos últimos lugares do mundo onde o bambu ainda é amplamente utilizado na construção civil.

A polícia informou ter encontrado placas de poliestireno bloqueando as janelas, e suspeita que elas, e os andaimes de bambu usados na obra, contribuíram para que as chamas se espalhassem tão rapidamente.

No entanto, o governo anunciou em março a decisão de iniciar a eliminação gradual do uso de bambu em obras públicas, exigindo que 50% dos projetos passassem a utilizar estruturas metálicas, citando questões de segurança.

Testemunhas e posts em redes sociais relataram ter visto quadros de andaimes caírem ao chão enquanto bombeiros lutavam para combater o fogo.

Bloqueio de vias e histórico de incêndios

Devido à gravidade do incêndio, o Departamento de Transportes de Hong Kong fechou um trecho inteiro da estrada Tai Po, uma das duas principais rodovias da cidade, e os ônibus estão sendo desviados.

A área de Hong Kong, conhecida por seu mercado imobiliário extremamente caro e aluguéis altíssimos, não é estranha a incidentes graves. Em abril do ano passado, um incêndio em um prédio residencial densamente povoado no distrito de Kowloon causou a morte de cinco pessoas.

Apesar de a área de Y.Y. Chan, um morador de 68 anos, já ter tido o fogo extinto, ele comentou que "ver os incêndios ao redor ainda faz a gente se sentir terrível". Ele conclui que, dado o cenário imobiliário da cidade, "não é como se pudéssemos realmente nos mudar para qualquer lugar... apenas temos que encarar a realidade".

*Com informações de agências internacionais.

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