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O que se sabe sobre a operação da PF que prendeu os MCs Ryan e Poze do Rodo

Músicos foram presos nesta quarta em ofensiva contra grupo especializado em movimentação ilícita de valores e lavagem de dinheiro; PF vê envolvimento do PCC

Da redação
DA REDAÇÃO

15/04/2026 • 12:42 • Atualizado em 15/04/2026 • 12:42

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação nesta quarta-feira (15) para desarticular um grupo especializado em movimentação ilícita de valores e lavagem de dinheiro. Chamada de "Narco Fluxo", a ofensiva culminou a prisão de nomes conhecidos, como os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, além do influenciador Chrys Dias e o dono da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira.

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A 5ª Vara Federal de Santos expediu 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão. As diligências aconteceram em nove estados (SP, RJ, PE, ES, MA, SC, PR e GO) e no Distrito Federal.

Além das prisões, foi determinado o sequestro de bens de luxo, veículos e o bloqueio de contas bancárias e participações societárias dos investigados.

Segundo a PF, o grupo, que se valia de um sistema sofisticado para a dissimulação de valores e operava tanto no Brasil quanto no exterior, teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de depósitos fracionados, transporte de dinheiro em espécie e o uso estratégico de criptoativos.

O dinheiro era distribuído em diversas camadas financeiras para dificultar o rastreamento. O uso de criptoativos era uma das principais apostas do grupo para a evasão de divisas e a manutenção de fluxos internacionais.

O centro da operação

De acordo com a investigação, o funkeiro MC Ryan SP é o centro do esquema. O artista, preso em uma festa em Riviera de São Lourenço, no litoral central paulista, usava da popularidade e do alcance para servir de “blindagem” para a circulação de valores elevados, como se fossem fruto do sucesso no entretenimento.

O esquema operava com três estratégias principais: a pulverização de recursos por meio da venda de ingressos, produtos e ativos digitais para justificar entradas de dinheiro sem origem comprovada; a dissimulação, com uso de criptomoedas, dinheiro em espécie e múltiplas transferências para dificultar o rastreamento e o uso de laranjas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas movimentações.

Os agentes também identificaram práticas como "aluguel de CPFs" e fragmentação de valores, manobras típicas para driblar sistemas de controle.

Um dos pontos que mais chamam atenção dos investigadores é a ligação com o PCC. A investigação indica que, além de possíveis investimentos iniciais, havia um fluxo contínuo de dinheiro associado à facção, descrito como uma espécie de “mensalidade” proveniente de atividades comerciais ligadas ao grupo.

O elo seria Frank Magrini, apontado como operador financeiro com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, ele teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP e atuado na engrenagem financeira do esquema.

A defesa do músico informou que “não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos”.

“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”, diz a nota.

"A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada", completa. A defesa de MC Poze do Rodo ainda não se pronunciou.

Outros envolvidos

Rodrigo Oliveira, fundador da GR6 Eventos, maior produtora de funk do país e o influenciador influencer Chrys Dias também foram alvos. Chrys foi preso em sua casa em Itupeva, no interior de São Paulo, por policiais militares – a corporação auxiliou na operação.

Raphael Sousa Oliveira também é um dos presos pela PF. O jovem é dono da página "Choquei", que soma cerca de 39 milhões de seguidores nas redes sociais, e é apontado como o operador de mídia da organização criminosa.

Segundo informações, o dono do perfil que era responsável por divulgar conteúdos favoráveis ao líder do grupo, MC Ryan SP, além de promover as plataformas de apostas e rifas utilizadas para lavagem de dinheiro.

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