Resumo
Depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal abordou investigações sobre operações bilionárias do Banco Master, Banco de Brasília (BRB) e empresas de crédito como Tirreno, com destaque para suspeitas de emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) fraudulentas e pressão regulatória que teria afetado a liquidez da instituição.
Operações financeiras envolveram valores expressivos, como R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito cedidas ao BRB, R$ 6,7 bilhões adquiridos da Tirreno e R$ 16,7 bilhões transferidos pelo BRB ao Master, sendo negada a existência de fraude em R$ 12 bilhões em CCBs e defendido o rito operacional das transações.
Relações políticas e nomes citados incluíram encontros institucionais com o governador Ibaneis Rocha, menção a executivos como Luiz Antônio Bull, Ângelo Silva e Alberto Félix, além de parceiros investigados como Henrique Peretto e Augusto Lima, com Vorcaro ressaltando que não houve influência política em operações e defendendo a integridade do banco.
Em um depoimento marcado pela defesa incisiva de seu modelo de negócio, relacionamento político e detalhes da operação do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou esclarecimentos à Polícia Federal no âmbito de investigações que envolvem a instituição, o Banco de Brasília (BRB) e empresas de crédito como a Tirreno.
O depoimento, acompanhado por representantes do gabinete do ministro Toffoli e do Ministério Público Federal, revelou detalhes sobre operações bilionárias e a forte pressão regulatória que, segundo o empresário, teria sufocado a liquidez da instituição.
O depoimento detalha uma investigação sobre a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) potencialmente fraudulentas envolvendo as empresas Tirreno e DPI.
Durante o interrogatório, a delegada questiona a legitimidade de operações bilionárias de cessão de crédito ao BRB, apontando a ausência de lastro documental e movimentação financeira nas empresas originadoras.
A estrutura de liquidez e a pressão regulatória
Vorcaro descreveu uma mudança drástica na estratégia do Banco Master devido a alterações nas regras do sistema financeiro. O plano original era 100% baseado na captação via Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas mudanças regulatórias — atribuídas por ele à pressão de grandes bancos — forçaram o Master a buscar novos meios de liquidez.
Para sobreviver, o banco migrou para um modelo de originação e cessão de ativos, que passou a representar entre 70% e 80% da captação de recursos nos meses que antecederam a crise. Vorcaro enfatizou que o banco sempre foi solvente, mas enfrentou uma crise de liquidez provocada por essa mudança nas "regras do jogo" e por uma campanha reputacional negativa.
Valores operacionais e o caso Tirreno
O ponto central da oitiva recaiu sobre a Tirreno, empresa que intermediou volumes expressivos de crédito consignado. Vorcaro destacou os seguintes valores e conceitos operacionais:
• R$ 12,2bilhões: Valor total das carteiras de crédito cedidas ao BRB, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões.
• R$ 6,7 bilhões: Montante em carteiras de crédito que o Master teria adquirido da Tirreno.
• R$ 16,7 bilhões: Total transferido pelo BRB ao Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025.
• R$ 12 bilhões em "CCBs falsas": Vorcaro negou veementemente a prática de crime, afirmando que "não existiu fraude de 12 bilhões" e que a transação não foi concluída no balanço, permanecendo em conta transitória.
Sobre a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Vorcaro afirmou que o procedimento é um rito operacional padrão para trazer créditos do mercado não financeiro para o ambiente bancário. Ele defendeu que "não existiu ação criminosa minha em nenhum momento e nem do banco", pois não teria havido vantagem para a instituição nem prejuízo para clientes.
Nomes citados e articulação política
Durante o depoimento, Vorcaro foi questionado sobre suas conexões políticas e figuras-chave na administração do banco e das parceiras:
• Políticos: Citou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmando ter tido encontros institucionais e que o governador já visitou sua casa, mas negou qualquer "facilitação política" nos negócios com o BRB.
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• Outros Políticos: Embora admita ter "amigos em todos os poderes", ele se recusou a nominar outros deputados ou senadores que frequentavam sua casa, alegando que essas relações não têm vínculo com as investigações do caso Tirreno.
• Executivos do Master: Nominou Luiz Antônio Bull (responsável por compliance e jurídico) e Ângelo Silva (controladoria e riscos) como os principais diretores operacionais. O tesoureiro Alberto Félix também foi mencionado.
• Parceiros e Investigados: Identificou Henrique Peretto como o dono da Cartos e criador da Tirreno, descrevendo-o como um parceiro de longa data do mercado. Citou também o ex-sócio Augusto Lima, que teria formado a equipe de consignados do banco.
• BRB e Banco Central: Mencionou Paulo Henrique, presidente do BRB, com quem tratava a "negociação macro" da fusão. Sobre o Banco Central, citou o diretor de fiscalização Ailton de Aquino Santos, com quem teria se reunido pouco antes de sua prisão.
A Tese da "Falta de Influência":
Para rebater a pecha de influente, Vorcaro argumenta que seu status atual prova o contrário: "se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso".
Frases de impacto e defesa
Vorcaro utilizou frases marcantes para descrever sua situação e a do banco nas fontes:
• "O Banco Master só trouxe resultado para o BRB, resultados históricos."
• "Eu tive com o governador, sim... mas não teve nenhum tipo de questão tratada... que não fosse técnica."
• "Heroicamente... a gente conseguiu honrar todos os compromissos até aquele dia."
• "Não era para a gente estar aqui nessa sala... porque o prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro.
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