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Odontologia digital cresce 23% ao ano no mundo

Mas no Brasil o maior prejuízo ainda é a impressora parada na prateleira

4 min

01/09/2026 20:13 • Atualizado há 6 dias

Odontologia digital cresce 23% ao ano no mundo

País concentra 20% dos dentistas do planeta e lidera o potencial da odontologia digital na América Latina. Especialistas alertam: o gargalo não é o preço da máquina, é comprar sem saber usar.

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Em menos de dois meses, um protético com quarenta anos de bancada analógica passou a imprimir e entregar facetas. O caso não é exceção, é método.

O Brasil tem mais de 449 mil dentistas registrados, cerca de 20% de todos os profissionais de odontologia do mundo. É nesse mercado que uma virada silenciosa está em curso: o gesso, a moldeira e a espera de dias por uma peça protética vêm sendo substituídos por escaneamento intraoral, desenho em computador e impressão 3D dentro do próprio consultório.

Os números explicam a velocidade da mudança. O mercado global de impressão 3D odontológica foi avaliado em cerca de US$ 4,9 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 26,7 bilhões até 2033, um crescimento superior a 23% ao ano, segundo a consultoria Grand View Research. No Brasil, o setor odontológico deve movimentar US$ 6,9 bilhões até 2030, e o país é apontado como o de maior potencial de crescimento em odontologia digital na América Latina.

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A tecnologia, porém, chegou antes do conhecimento. E a conta desse desencontro tem nome: equipamento parado na prateleira.

Por que tanto equipamento fica parado?

"O dentista não perde dinheiro comprando equipamento caro. Ele perde dinheiro comprando o equipamento errado", afirma o Dr. Rafael Aranha, cirurgião-dentista, referência nacional em fluxos digitais e impressão 3D odontológica.

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"Chega gente com uma impressora de cerca de 10 mil reais encostada há seis meses porque ninguém explicou qual resina usar, como calibrar e onde aquilo entra no atendimento. Estudar antes de comprar é o passo que quase todo mundo inverte."

Fundador da RA Company, Aranha já formou mais de mil dentistas e acompanhou a digitalização de mais de 1.100 clínicas e laboratórios em todo o país. Boa parte dessa audiência foi construída de graça. No YouTube, o canal @dr.rafaelaranha reúne mais de 450 vídeos e mais de 350 mil visualizações, quase todos gravados na tela do computador: como instalar bibliotecas no Exocad, como calibrar uma impressora 3D, qual resina usar em cada tipo de peça, como escanear um implante sem distorção. Um único vídeo, sobre a impressora Elegoo Mars 5, passou de 25 mil visualizações e virou consulta obrigatória para quem estava decidindo a compra do equipamento. Ele também apresenta o iDentalCast, podcast em que entrevista dentistas, protéticos e empresários do setor, disponível no Spotify e no YouTube.

"Tem profissional que aprende comigo por anos sem pagar nada, e isso é proposital", diz. "O vídeo gratuito é onde o dentista descobre que aquilo é possível na mão dele. Quem quer o caminho organizado, do zero até a peça pronta na boca do paciente, procura a formação completa depois. Nessa ordem."

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Quarenta anos de bancada e dois meses para virar a chave

A prova mais clara de que o gargalo é formação, e não máquina, tem quarenta anos de bancada. Reinaldo é protético da velha guarda, formado no analógico, e chegou ao digital desconfiado da própria capacidade de aprender algo novo. Em cerca de dois meses seguindo trilhas organizadas de estudo na plataforma RA Play, já tinha configurado impressora, resina e calibração, e estava imprimindo e entregando facetas.

O desfecho é o dado que mais importa: depois disso, ele comprou um scanner de bancada e uma segunda impressora. Não porque alguém vendeu equipamento para ele, mas porque a operação passou a justificar o investimento.

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"Quando o profissional entende o fluxo, o equipamento deixa de ser gasto e vira produção", resume Aranha. "Ele compra a segunda máquina porque a primeira já está pagando."

Uma comunidade que saiu da tela

Histórias como a de Reinaldo se multiplicam na comunidade que se formou em torno do movimento. Dentistas e protéticos de todo o país, muitos vindos do fluxo totalmente analógico, se reúnem na RA Experience, encontro presencial que celebra quem já vive a rotina digital e prepara sua terceira edição. Nos palcos e corredores do evento, os protagonistas são os próprios profissionais: cada peça impressa, cada consultório digitalizado e cada laboratório que virou a chave vira caso contado de colega para colega.

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Para quem ainda não quer investir em maquinário próprio, o grupo mantém a UniCad, central de usinagem com fresadoras de marcas como AmannGirrbach, Planmeca, BlueDent e Aidite, que produz as peças enquanto o profissional amadurece a decisão de compra.

Quem é o Dr. Rafael Aranha

Dr. Rafael Aranha é cirurgião-dentista, especialista em fluxos digitais e fundador da RA Company, empresa de tecnologia para odontologia digital. O grupo mantém a plataforma de cursos RA Play, com mais de quarenta cursos de impressão 3D, escaneamento e desenho digital, além de ferramentas de calibração de impressora, precificação de laboratório e recomendação de compra de equipamento, todas criadas a partir das dúvidas reais de quem está digitalizando a rotina.

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