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Oinegue: após ser arena de governos, espaço agora é um mercado

Por Redação
REDAÇÃO

08/06/2026 • 23:12 • Atualizado em 08/06/2026 • 23:14

Eduardo Oinegue

Jogar dinheiro fora ninguém quer, mas jogar dinheiro no espaço, você jogaria? Próximo dia 12, Elon Musk vai abrir o capital da SpaceX, hoje avaliado em quase 1,8 trilhão de dólares.

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A história do capitalismo é assim, feita de apostas que mudam tudo. Quando as ferrovias dominaram os mercados na Inglaterra, nos anos 1840, o mundo mudou. Quando o petróleo se transformou no grande negócio do início do século XX, surgiram as primeiras fortunas globais.

E a internet, quando ela chegou ao mercado de capitais nos anos 1990, a civilização passou a girar em torno dessa nova infraestrutura. Em cada uma das viradas, o capitalismo foi redesenhado. Então, na sexta-feira (12), se nada mudar, o espaço pode atravessar essa fronteira.

Por mais de 60 anos, o espaço foi uma arena estatal. Americanos, soviéticos, depois os chineses, despejaram fortunas numa disputa geopolítica. Só os Estados Unidos investiram perto de um trilhão de dólares em programas espaciais ao longo das últimas décadas.

Cada foguete lançado custava uma fortuna. E aí ele era descartado. Era como jogar um avião no lixo depois de cada viagem entre o Brasil e a Europa. Então aparece Elon Musk com uma ideia simples. Vamos criar um foguete capaz de ir para o espaço? Aí ele pousa de volta e a gente voa com ele novamente.

Aí o custo despencou e naquele instante o espaço começou a deixar de ser uma arena dos governos para se transformar num mercado. Elon Musk colocou nisso 100 milhões de dólares, o dinheiro dele para fundar a SpaceX em 2002, usando o dinheiro que ele ganhou com a venda do PayPal.

Em 2008, a empresa quase quebrou, foi salva por um contrato da NASA. Se a avaliação continuar a ser essa que estão dizendo que é, a participação dele na SpaceX deve valer perto de 900 bilhões de dólares.

Aí soma a participação que ele mantém na Tesla e o Musk pode abrir a próxima semana com uma fortuna superior à soma dos cinco homens mais ricos do planeta, o primeiro trilionário em dólar do mundo. Essa é a conta dele, a conta do vendedor.

Agora, para quem pensa em comprar ações da SpaceX, é outra conta. Porque a história registra IPOs que viraram lendas e aberturas de capital que viraram pó. Google abriu capital em 2004. Quem investiu mil dólares naquela época tem hoje quase 90 mil.

Microsoft abriu em 1986. Mil dólares em ações viraram mais de 5 milhões de dólares. A Amazon abriu em 1997, mil dólares viraram 3 milhões de dólares, pouco mais até. Essas são histórias de sucesso, só que tem o outro lado.

Pega uma empresa chamada Rivian, fabricante americana de carros elétricos. Estreou festejada na Bolsa 2021, valendo mais do que a Ford e já perdeu cerca de 85% do valor. A Pets.com, outra coqueluche, virou símbolo da bolha na internet, fez enorme sucesso no lançamento e simplesmente quebrou meses depois, falência.

A SpaceX vai entrar para o grupo das empresas que decolam ou para o grupo daquelas que mesmo parecendo promissoras, explodem no chão? A gente vai saber nos próximos capítulos.

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