
Oinegue: Bolsonaro já transmitiu capital político para o filho
Reprodução/Band
Jair Bolsonaro vai sair da cadeia, vai para casa. Ele foi condenado a 27 anos e 3 meses, tá preso desde novembro do ano passado, agora ele vai deixar a Papuda levando com ele uma pneumonia nos dois pulmões e uma tornozeleira.
O ministro Alexandre de Moraes autorizou prisão domiciliar humanitária. 90 dias, passa a contar a partir da alta médica. Não vai poder o Bolsonaro usar celular, meio de comunicação de qualquer tipo, nada de rede social, foto, vídeo, nada. Os filhos podem visitar às quartas e sábados, horário fixo. Advogados têm 30 minutos por dia com agendamento prévio. Demais visitas não. Manifestações proibidas no raio de 1 km da casa dele. Acima disso tudo bem. Passados 90 dias, reavaliação da decisão.
Essa decisão que acontece no ano em que o sobrenome Bolsonaro vale ouro porque vale voto. Porque tá em jogo não é só a saúde do ex-presidente, que é o principal, mas é o papel que ele joga numa campanha que talvez não estivesse tão pegada sem o sobrenome dele na urna.
Flávio Bolsonaro tá lá no topo das pesquisas, junto com Lula. Uma candidatura que nasceu como um poste e vingou. Poste você sabe, é o apelido que as candidaturas recebem quando não tem um candidato com atributo próprio, mas uma relação forte com o padrinho. Dilma foi poste de Lula em 2010. Fernando Haddad foi poste de Lula em 2018, chegou ao segundo turno despachando com o chefe na sede da Polícia Federal de Curitiba.
Agora é Flávio, um poste genético, um candidato que sem a certidão de nascimento tem pouco a oferecer por enquanto. Aí você coloca o pedigree vira uma máquina de voto. E a pergunta que a campanha dele trabalha para responder é: que Bolsonaro é esse Flávio que vai pra urna? Mesma pergunta que a campanha petista vai trabalhar para desconstruir.
Em 2018 era Lula que estava preso. Preso, inelegível e virou tema central da eleição. Pro PT ele era tema porque entendiam que tinha feitos do governo dele que precisavam ser destacados. Pra oposição ele era tema pela condenação e pela Lava Jato.
Bolsonaro tem elementos em comum porque pra uma parcela do eleitorado ele é um golpista, pra outra um injustiçado, um mártir. O sentimento que existe nas duas pontas não é irrelevante porque Bolsonaro não tá preso por corrupção e tem pesquisa mostrando claramente que muita gente entende que corrupção é pior que tentativa de golpe.
Mas o momento não é 2018, é outro. Tem uma massa enorme que vai com Lula, ainda que talvez preferisse um nome alternativo da esquerda que não existe. Tem uma massa enorme que vai com Flávio, ainda que preferisse um nome alternativo que tivesse força. O PSD diz que esse nome pode ser Ronaldo Caiado, vamos ver.
Agora mesmo silenciado por decisão judicial, aparentemente o Bolsonaro já transferiu o capital político pro filho sem abrir a boca, sem dar uma declaração. Vamos combinar: Jair Bolsonaro calado é um Jair Bolsonaro que não erra, não faz piada de gosto duvidoso, não brinca com o que não deve brincar e acaba dando espaço pra Flávio crescer e ganhar identidade própria. Flávio por enquanto é um papel em branco. A eleição vai decidir se isso terá sido um problema ou uma vantagem.
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